Bradesco e Caixa transformam o mainframe em plataforma orientada a dados e inteligência 

No Bradesco, o mainframe foi o core transacional  suportando o processamento de altíssimo volume, envolvendo as operações de contas, cartões e transferências, e garantindo a execução das lógicas críticas de negócio com consistência, integridade e disponibilidade inegociáveis. “Esse papel fundamental se mantém firme, refletindo um cenário global onde, segundo dados da IBM, os mainframes ainda processam quase 70% das cargas de trabalho de produção de TI em 28 setores e mais de 70 países”, frisa Daniel Falbi, Tech CIO no Bradesco.

O que mudou profundamente foi a evolução da arquitetura. O Bradesco saiu de um ambiente centralizado e monolítico para um modelo híbrido, integrado à nuvem, com APIs e canais digitais. “O mainframe deixou de ser uma estrutura isolada e passou a atuar como um componente dinâmico dentro de um ecossistema muito mais amplo”, detalha Falbi. O mainframe saiu da visão tradicional para ser tratado como uma plataforma estratégica de longo prazo, orientada à inovação contínua.

No Bradesco, o mainframe não apenas sustenta o core do banco, mas ativamente habilita novos modelos operacionais, suporta novos workloads e acelera nossas iniciativas digitais. Dentro da estratégia atual de TI, atua como plataforma base para as aplicações críticas e elemento central da arquitetura híbrida, respondendo pelos serviços essenciais do banco e sustentando processos de maior risco operacional como conciliações, liquidações financeiras etc. “Atua como o nosso backbone transacional e golden source de dados corporativos, ele também garante a alta confiabilidade exigida em transações de cartões e transferências financeiras”, diz Falbi.

O mainframe passou a operar como uma plataforma fortemente orientada a dados e inteligência. está integrado, distribuído e automatizado. “Estamos escalando o uso de inteligência artificial nas operações, na observabilidade de sistemas, no desenvolvimento e na segurança. Isso vem acompanhado de um avanço consistente no uso de AIOps para automação, integração com plataformas de analytics e uma observabilidade pautada no impacto real de negócio”, relata o CIO.

Falbi avalia que a modernização do mainframe é um processo contínuo, estruturado e focado em gerar valor full stack. O banco não está substituindo o mainframe, mas o transformando em uma plataforma moderna e preparada para sustentar inovação com baixo risco. “Essa estratégia é incremental, orientada a dados reais e opera em três grandes frentes: tecnológica, de software e operacional”, resume.

Na modernização tecnológica, o Bradesco realiza upgrades constantes de hardware que entregam grandes ganhos de eficiência energética e sustentabilidade, além de consolidar o parque físico com forte redução de footprint. Em software e desenvolvimento, mira reduzir a dependência de fornecedores específicos integrando a plataforma com ferramentas modernas, adotando Git, IDEs de mercado e evoluindo para o uso em escala de CI/CD com pipelines avançados.

Já na modernização operacional, o foco é o provisionamento sob demanda de ambientes e a automação em escala. As operações são orientadas a dados, com telemetria em tempo real e maior integração aos ecossistemas cloud. A inteligência artificial tem sido decisiva nessa jornada, sendo aplicada diretamente na análise de impacto, priorização de aplicações, refatoração assistida e explicação de códigos legados, o que acelera todo o nosso ciclo de engenharia.

Falando sobre o futuro do mainframe, Daniel Falbi ressalta o papel evolutivo e aponta que ele continuará operando como a base para a continuidade dos negócios, mantendo a alta disponibilidade e atuando como o backbone transacional para nossos sistemas críticos. “A diferença fundamental é o seu novo posicionamento como uma plataforma moderna de arquitetura distribuída, operando de forma transparente ao usuário final enquanto se conecta massivamente a cloud, dados e inteligência artificial”, destaca.

Com essa visão, o Bradesco caminha para ter um ambiente mais inteligente e eficiente, com a IA atuando como uma camada transversal, operações amplamente automatizadas e observabilidade orientada ao negócio. “A segurança continuará sendo resiliente por design. As operações futuras avançarão em criptografia e prontidão para o cenário quantum safe, com segurança integrada desde a concepção, evolução para modelos de detecção EDR e microsegmentação, sempre alinhados aos mais rigorosos padrões globais de compliance. O mainframe consolida sua transição para uma infraestrutura pronta para sustentar novos workloads e impulsionar a próxima geração de profissionais de tecnologia”, finaliza.

Papel central

Na Caixa Econômica Federal, o mainframe mantém papel central no sistema bancário há décadas, sendo a base para processamento de contas, transações e serviços financeiros críticos. A operação no banco estatal está em linha com o adotado globalmente, com mainframe respondendo por grande parte das transações financeiras devido à alta confiabilidade exigida no setor.

Além das operações tradicionais, o mainframe, na Caixa, sustenta programas sociais e grandes volumes sazonais, funcionando como a principal infraestrutura tecnológica do banco. “Mesmo com o avanço digital, o mainframe permanece essencial por sua segurança, desempenho e disponibilidade”, explicou a Caixa, por escrito ao Convergência Digital.

A Caixa detalhou que a tendência não é substituição, mas uma modernização contínua do mainframe, com integração a arquiteturas híbridas, nuvem, APIs e inteligência artificial. “Apesar do desafio na formação de especialistas, iniciativas de capacitação e automação vêm mitigando esse cenário”, acrescenta. Assim, o mainframe segue estratégico, evoluindo de um modelo isolado para um ecossistema integrado, mantendo-se como núcleo confiável das operações bancárias e base para inovação.

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