Anatel volta a adiar redação sobre uso de postes do setor elétrico à espera da AGU

A Anatel adiou nesta quinta, 7/5, por mais 120 dias, uma nova deliberação sobre o regulamento conjunto com a Aneel sobre o uso dos postes do setor elétrico por empresas de telecomunicações.

A decisão era esperada, uma vez que a Anatel aguarda um posicionamento da Advocacia Geral da União sobre a posição divergente das duas agências reguladoras.

A arbitragem da AGU foi requisitada diante das versões diferentes aprovadas por Anatel e Aneel para o mesmo regulamento – divergências que precisam desaparecer para que a norma entre em vigor.

Enquanto a Anatel prevê a cessão compulsória da exploração dos postes a um terceiro sempre que houver interessado, a proposta da Aneel estabelece que a decisão pode ser tomada pela própria distribuidora de energia.

A posição da Aneel prevê a possibilidade de intervenção das agências reguladoras apenas em situações como mau desempenho na atividade de compartilhamento.

Compasso de espera

Na Abrint 2026, realizada em São Paulo, o tema compartilhamento de postes foi destaque. “Temos a expectativa de que a resolução( da AGU) esteja perto. O entendimento que for temos de pegar a resolução e ajustar”, assinalou Agnes Costa, diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica. Ela lembrou que, em 2023, tanto a Aneel quanto a Anatel haviam chegado a entendimento acerca de texto com olhar para regularização, preço de referência, enforcement para quem fosse o posteiro, mas houve mudança na redação alterando de “poder” para “dever” ceder os postes pela elétrica ao posteiro.

A troca de ser facultativo pela obrigatoriedade mudou o cenário. “A resolução não havia sido desenhada para isso. Para mim, tinha de desenhar uma governança que funcionasse, compreendendo que vários modelos são possíveis. Tem de enxergar as lacunas e os fios desencapados. Se obrigam a ceder para um terceiro e ele quebra, o que acontece? Quando passou de poder ceder para obrigação, tinham lacunas”, detalhou Agnes Costa.

A diretora colocou ainda que, se a cessão for obrigatória, o posteiro é mais um para ser remunerado na cadeia, necessita saber quem vai regulá-lo — e, no atual cenário, segundo ela, ninguém tem essa competência.

Complementando a fala de Costa, José Borges, superintendente da Anatel, confirmou a divergência jurídica em torno da cessão. “Existe a necessidade da regularização do poste; isso é fato. O regulamento estabelece plano de reorganização e a motriz do debate é o preço”, salientou, ressaltando que o ponto de fixação é um custo muito alto para os provedores de internet, representando a maior dor. “Assim que a gente aparar as arestas conseguimos avançar na discussão”, disse.

Borges afirmou ter expectativa de que, aprovando a minuta de resolução, poderá dar vigência da metodologia de custos. “O que precisa agora é fazer consulta pública para abrir a metodologia para a sociedade”, ressaltou. Segundo ele, a estrutura de preço deve ser orientada a custo e baseada em elementos técnicos e objetivos.

Do lado das elétricas, Onofre Neto, assessor da diretoria de regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), argumentou que o principal impasse hoje está na definição do explorar da infraestrutura, que é o agente posteiro. “A Abradee entende que deve ser uma atuação prioritária da distribuidora”, defendeu.

As distribuidoras enxergam com cautela a figura do posteiro, ele acrescentou, justificando que as empresas entendem que, pelo know-how delas, a atividade deveria ser feita por elas prioritariamente e, se não quiser ou tiver capacidade, pode passar para terceiro. “O importante ter enforcement previsto na regulamentação.”

Questionando se a Abradee poderia judicializar a decisão da AGU, Neto esquivou-se: “Preferimos aguardar os posicionamentos”. Ao que Agnes Costa comentou que “a Abradee não é associação que costuma judicializar as decisões”. “Para Aneel, o que AGU decidir está decidido”, frisou a diretora.

A decisão do tema é urgente para os provedores de internet. Basílio Perez, vice-presidente da Abrint, afirmou esperar por uma solução qualquer que seja a decisão da AGU. “Defendemos o lado da Anatel, que diz que a cessão tem de ser obrigatória, porque as distribuidoras tiveram chance e foram deixando muita coisa acontecer nos postes. Tenho acompanhado todos esses anos e não tem fiscalização”, disse Perez.

Colaborou Roberta Prescott

Tags

Compartilhe

Geração Z precisa entender o impacto da tecnologia na sociedade
Geração Z precisa entender o impacto da tecnologia na sociedade
Crise da Oi: Anatel vai ouvir MCom sobre capital de terceiros em data centers da V.tal
Demissões por negócios autônomos e IA podem liberar orçamento, mas não entregam retorno, adverte Gartner
Anatel atrasa edital de 850 MHz para avaliar impacto de negociação no TCU
Monetização de dados começa muito antes da geração de receita
Anatel volta a adiar redação sobre uso de postes do setor elétrico à espera da AGU
Em Minas, transformação digital é para  resolver problema real do cidadão
Em Minas, transformação digital é para  resolver problema real do cidadão
Governo de Minas recebe cerca de 30 mil tentativas de ataques hackers por mês
Governo de Minas recebe cerca de 30 mil tentativas de ataques hackers por mês
Algar lança plataforma para ISPs criarem operadoras móveis com marca própria
Algar lança plataforma para ISPs criarem operadoras móveis com marca própria
Nokia nomeia Hugo Baeta como novo diretor-geral no Brasil
Nokia nomeia Hugo Baeta como novo diretor-geral no Brasil