Transformação digital e inovação pública só dão certo se virarem serviços para o cidadão

A abertura oficial do Tech Gov Fórum ES reuniu nesta terça-feira, em Vitória, autoridades estaduais, gestores públicos e especialistas em inovação para discutir os desafios da transformação digital no setor público e os caminhos para a construção de um “estado inteligente”. O evento, criado em 2023, consolidou-se como um dos principais espaços de debate sobre tecnologia e inovação na administração pública capixaba.

Na cerimônia de abertura, o diretor-presidente do Prodest e vice-presidente de Inovação da ABEP-TIC, Marcelo Azeredo Cornélio, destacou o crescimento do fórum e afirmou que o Espírito Santo vive um momento estratégico na consolidação de políticas públicas voltadas à transformação digital.

Segundo ele, o Tech Gov Fórum ES nasceu com a missão de aproximar tecnologia e gestão pública para gerar impacto direto na vida da população. “O tema desta edição não é apenas atual, é estratégico. É uma declaração de intenção sobre o futuro que estamos construindo juntos”, afirmou.

Marcelo Azeredo ressaltou que, após anos de investimentos na digitalização de serviços públicos, o governo entra agora em uma nova etapa, definida por ele como a “era do estado inteligente”. “O Espírito Santo tem mostrado ao Brasil que está preparado para este momento. Nossos resultados são fruto de planejamento e de quem entende tecnologia como instrumento de desenvolvimento”, destacou.

Durante o discurso, o gestor apresentou exemplos da aplicação da tecnologia em áreas estratégicas do governo estadual. Na segurança pública, segundo ele, ferramentas analíticas e sistemas inteligentes têm ampliado a capacidade do Estado de prevenir crimes e salvar vidas. Na saúde, ressaltou a utilização de dados para acelerar tomadas de decisão, enquanto na educação destacou o fortalecimento da conectividade e das plataformas digitais para ampliar oportunidades de aprendizado.

Apesar dos avanços tecnológicos, Marcelo Azeredo enfatizou que a transformação digital depende diretamente da qualificação das pessoas. “Tecnologia sozinha não transforma governos. O que transforma são pessoas preparadas para utilizá-la”, afirmou, defendendo que o maior desafio da gestão pública não é apenas implementar novas ferramentas, mas decidir estrategicamente como utilizar a inovação para gerar impacto concreto na vida dos cidadãos.

O subsecretário de Transformação Digital do Governo do Estado, Victor Murad, reforçou a importância do fórum como espaço de troca de experiências e construção coletiva de soluções tecnológicas. Segundo ele, a política de digitalização implantada pelo Espírito Santo desde 2019 colocou o estado em posição de destaque nacional. “Eventos como esse mostram que também discutimos, trocamos ideias e entregamos projetos para o país”, afirmou.

Murad destacou ainda que a tecnologia precisa estar conectada a propósitos humanos e sociais, e não apenas à modernização de sistemas. Já o presidente do Detran-ES e presidente da Associação Nacional dos Detrans, Givaldo Vieira, afirmou que a inovação se tornou uma necessidade diante do crescimento das demandas públicas. Segundo ele, a estrutura tradicional do Estado já não era suficiente para responder às necessidades da população. “O Detran tinha demandas tão grandes que não seriam atendidas mesmo quintuplicando nosso efetivo. Só a tecnologia poderia nos ajudar”, disse.

Givaldo Vieira destacou a implantação de um dos maiores programas de vigilância e segurança no trânsito do país e ressaltou o papel das lideranças na condução da transformação digital. Para ele, apesar dos avanços já alcançados, a sociedade evolui em ritmo ainda mais acelerado, o que exige constante atualização da administração pública. “O cidadão ainda olha para o Estado e nos acha complexos. A tecnologia nos ajuda a estabelecer diálogo e encaminhar soluções”, afirmou.

O secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, reforçou a ideia de que tecnologia e desenvolvimento humano são processos inseparáveis. “Não existe desenvolvimento sem tecnologia e não existe tecnologia sem pessoas. Essa é uma cadeia que não pode ser invertida”, declarou. Segundo ele, investimentos em tecnologia só produzem resultados quando acompanhados da disposição humana para evoluir e transformar processos.

Também presente na abertura, o secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmom Dias, afirmou que o Espírito Santo já pode ser considerado um “estado digital”, após a migração de estruturas analógicas para modelos digitais iniciada em 2019.

Ele ressaltou que os avanços tecnológicos trouxeram novos desafios para a administração pública, especialmente na preparação dos servidores para lidar com ferramentas digitais e inteligência artificial. “Hoje temos a utilização da IA em todos os nossos processos. Se não tivermos planejamento e capacidade de oferecer letramento, podemos estar trazendo desorganização ao processo”, alertou.

Segundo o secretário, a capacitação dos servidores públicos é fundamental para garantir que a inteligência artificial seja utilizada de maneira eficiente e estratégica. Encerrando a solenidade, o ex-governador do Espírito Santo, José Renato Casagrande, destacou o papel da tecnologia como instrumento de geração de oportunidades, mas alertou para o risco de ampliação das desigualdades sociais caso o acesso à inovação não seja democratizado. “Cabe à administração pública oferecer educação de qualidade, tecnologia e inovação para todo mundo”, afirmou.

Para Casagrande, a transformação digital precisa estar associada à inclusão social e ao acesso universal às ferramentas tecnológicas, evitando que apenas uma parcela da população seja beneficiada pelos avanços da inovação.

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