Soberania: Brasil precisa de uma Política Nacional de Nuvem

Soberania: Brasil precisa de uma Política Nacional de Nuvem

Especialistas em nuvem de governo apontam que o Brasil precisa desenvolver uma estratégia clara para o segmento. Defendem que uma Política Nacional de Nuvem seria um instrumento capaz para harmonizar conceitos hoje dispersos, que diferem de órgão para órgão, e garantir a soberania de dados.

O consenso se deu em painel nesta quarta-feira, 4, do primeiro T.S Data Center Cloud Summit, evento organizado pela Momento Editorial, que publica o Tele.Síntese. Participaram do debate Jônatas Mattes, diretor de Cloud Business da Extreme Digital Solutions – EDS, grupo privado que atende diversos órgãos do governo com nuvem; Leandro Carvalho de Albuquerque, Gerente de Planejamento e Marketing da Telebras; Saulo Milhomem Dos Santos, Superintendente de Relacionamento Comercio e Mercados da Dataprev; e Welsinner Gomes de Brito, Executivo de Arquitetura Corporativa, Plataformas Inteligentes e Engenharia de Nuvem do Serpro.

Foi Brito quem batizou a proposta. “A exemplo da PBIA, uma Política Nacional de Nuvem seria interessante para acelerar a adoção adequada pelos órgãos e empresas públicas”, apontou.

O Serpro, ressaltou, vem investindo bastante na criação de data centers capazes de rodar aplicações obtidas de parceiros, como AWS, Google, Microsoft. Sem contato com as redes dessas empresas, no entanto, a fim de garantir o que chamou de soberania dos dados. A empresa federal de processamento aportou R$ 720 milhões para se municiar das condições de oferecer nuvem privada a órgãos públicos, contou.

Milhomem, da Dataprev, concorda com a necessidade de algum regulamento que seja flexível o suficiente para o governo se adaptar com agilidade às novas tecnologias, mas assertivo o suficiente para garantir a segurança e prevenir incidentes com os dados dos cidadãos.

“Quem achar que a legislação de hoje vai ser suficiente para daqui dois anos, está equivocado. Precisamos de uma adaptação, e com a chancela do TCU. Assim vamos ter condições de pensar em trazer, por exemplo, computação quântica para a mesa e nos adaptar para algo que lá na frente se tornará uma vulnerabilidade”, comentou.

Uma solução encontrada pela Dataprev para ter agilidade em relação à adoção de tecnologias inovadoras foi a criação de uma entidade separada da empresa pública, encarregada de experimentar as novidades e verificar sua viabilidade comercial. “Estamos criando um instituto técnico, uma pessoa jurídica. A fase atual está em formalizar CNPJ, o estatuto e a diretoria. Não vai ser através do modelo tradicional que vamos chegar nas inovações que o governo precisa. Vão vir novas tecnologias, e pelo jeito tradicional não dá pra ter a mesma agilidade que o setor privado” comentou.

Na Telebras, que tem prioridade nas contratações de governo, o pensamento é semelhante. A estatal considera que hoje cada órgão tem modelos licitatórios distintos para serviços em nuvem, o que resulta em muito tempo perdido em discussões para materializar editais. Ainda assim, Leandro Albuquerque é otimista: “A gente entende que diretrizes e padronizações são difíceis por conta da complexidade das soluções envolvidas. Essa experiência de nuvem [soberana] vai contribuir para esse processo”, avalia.

Para Mattes, da EDS, é preciso pensar em uma política que valorize as integradoras, empresas nacionais que prestam serviços de nuvem. “Não precisa ser uma política ‘cloud only’, mas uma política ‘cloud first’, pois o uso de nuvem pública reduz em até 60% os gastos do órgãos”, apontou.

A seu ver, o governo deve ter cuidado em não confundir nuvem soberana com levar os equipamentos para ambientes próprios. “A nossa experiência mostra que a nuvem tem trazido todos os recursos para garantir segurança e soberania, cumprindo a legislação brasileira, adotando compliance, LGPD. A forma como se adota importa mais do que deter a tecnologia em si”, defendeu.

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