Semicondutores: MDIC debate oportunidades com Estados Unidos

Semicondutores: MDIC debate oportunidades com Estados Unidos

Representante do Comércio dos EUA se reúne com membros do MDIC em Brasília | Foto: MDIC/Divulgação
Representante do Comércio dos EUA se reúne com membros do MDIC em Brasília | Foto: MDIC/Divulgação

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e a representante de Comércio dos Estados Unidos, Katherine Tai, discutiram nesta quinta-feira, 24, as possibilidades de parceria entre os países no setor de semicondutores. O encontro ocorreu em agenda paralela à reunião de ministros de Comércio e Investimento do G20, em Brasília.

De acordo com o órgão, o Brasil apresentou um panorama da produção no país, indicando que possui cerca de 15 empresas que atuam na tecnologia de backend e mais de 5 mil engenheiros que trabalham na área de design. O MDIC sinalizou aos representantes dos EUA que possui “o interesse de participar desses elos da cadeia global de produção de semicondutores, em parceria forte com os Estados Unidos”.

“Em reposta, Katherine Tai propôs a escalação de um ‘quarterback’ brasileiro, em referência ao futebol americano, para dar início a um diálogo efetivo entre os dois países sobre semicondutores e a cadeia de abastecimento de backend, com vistas a uma colaboração no futuro”, registra nota do ministério publicada nesta tarde.

Ainda segundo o MDIC, a representante dos EUA também “explicou que o país realiza profundas conversas com parceiros comerciais que podem estimular a cadeia de suprimentos no Brasil”, e acrescentou que “considera quatro dimensões estratégicas, que passam pela transparência na legislação, diversidade de abastecimento, segurança e sustentabilidade”.

Política de semicondutores

Em setembro, o governo brasileiro sancionou lei que ampliou os itens com incentivos à produção nacional no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – Padis  (Lei 14.968/2024).

O texto também criou o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon), que consiste em uma estrutura de acompanhamento e incentivo ao avanço tecnológico, com um Conselho Gestor. Como parte da iniciativa, o ordenamento designou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) à estruturação e ao uso de instrumentos de apoio a empreendimentos novos ou já existentes a serem ampliados, modernizados ou atualizados.

A estimativa divulgada pelo Poder Executivo é de um investimento de R$ 7 bilhões por ano “em pesquisa e inovação nas cadeias de chips e eletroeletrônica, com aplicações voltadas para painéis solares, smartphones, computadores pessoais e outros dispositivos associados diretamente à chamada indústria 4.0”.

Parte da estratégia brasileira no setor de semicondutores também inclui a reestruturação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), que saiu do plano de desestatização, mas ainda enfrenta dificuldades orçamentárias (saiba mais aqui).

Já os EUA implementou em 2022 uma política de incentivo interno à produção de semicondutores que previa, inicialmente, US$ 53 bilhões em financiamento, e já alcançava US$ 140 bilhões no ano passado.

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