rede-privativa:-cgu-ve-risco-de-desperdicio-de-recursos-no-projeto

Rede privativa: CGU vê risco de desperdício de recursos no projeto

Auditoria da CGU avalia planejamento da rede privativa do governo desde 2023 | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou problemas no projeto de rede privativa do governo. Relatório final, divulgado neste mês, conclui que “pode haver sobreposição de investimentos e consequente desperdício de recursos públicos” no empreendimento, “em virtude de não considerar a Infovia já implantada no Distrito Federal”.

A Infovia em questão é a rede fixa da Administração Pública implementada em 2005, parte de um acordo de cooperação técnica entre a Secretaria de Governo Digital (SGD) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). A infraestrutura de fibra óptica interliga entidades localizadas na Esplanada dos Ministérios e as áreas próximas onde estão outros órgãos públicos na área central de Brasília.

A sobreposição apontada se daria em decorrência do projeto que surgiu posteriormente, no Decreto sobre Políticas Públicas de Telecomunicações editado em 2018, que consiste na conexão fixa e móvel, e que veio a compor parte do valor pago como contrapartida das operadoras vencedoras do Leilão do 5G – um montante de R$ 1 bilhão.

Diante das duas iniciativas, e levando em conta a inclusão da competência sobre redes privativas atribuída ao Ministério das Comunicações (MCom) na lei de reorganização dos órgãos públicos em 2023, o CGU aponta que há “falta de coordenação entre o MCom e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) [órgão que agora abarca a pasta de Governo Digital]”.

“Em se tratando do Distrito Federal, considerando que a SGD [Secretaria de Governo Digital] e Telebras possuem uma malha de fibras ópticas, pode existir duplicidade em alguns trechos que pode ser agravada com a implantação de novos trechos para a implantação da RAAPF [rede privativa fixa], custeados pelas contrapartidas do leilão do 5G que será incorporado ao patrimônio da Telebras”, aponta a CGU .

Ao analisar 125,15 km de trechos da Infovia já implementada, a equipe da auditoria identificou 71,98 km (cerca de 57,5%) em sobreposição com a rede da Telebras, entre trajetos operacionais e trajetos a serem implantados para operacionalização da nova rede privativa.

Para a CGU, “os trechos da Infovia com alta utilização da capacidade (que estão em 80% de uso) podem aproveitar a infraestrutura da RPCAF [rede privativa com recursos do 5G] como forma de aumento de capacidade de atendimento”. No entanto, ao ser questionada pela Controladoria sobre a estratégia de integração da Infovia e da rede da Telebras, a Secretaria de Governo Digital informou aos auditores que “não participa formalmente do projeto”.

A auditoria verifica que houve um “envolvimento tardio e não institucionalizado” da Secretaria de Governo Digital na elaboração da rede privativa atualmente com recursos do 5G, no entanto, tal integração é recomendada, visto a experiência do órgão na Infovia já instalada e também considerando a competência na gestão do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (Sisp).

“Como órgão central do Sisp, é de se considerar que [a Secretaria de Governo Digital] tenha papel ativo e determinante nesse processo, tanto como representante dos órgãos e entidades do Sisp quanto como gestora da Infovia”, consta no relatório.

“Como causa dessa situação, pode-se apontar a falta de planejamento e de coordenação da implantação da RPCAPF [nova rede privativa] em nível mais estratégico de Centro de Governo, levando à falta de integração entre atores importantes nesse processo. Com isso, pode haver sobreposição de investimentos e consequente desperdício de recursos públicos, bem como a possibilidade de implantação da RPCAPF sem o atendimento mais amplo das necessidades dos órgãos e entidades públicas”, concluiu a CGU.

Recomendação

A Controladoria entende que é necessário “uma adequação normativa, que esclareça conceitos, delimite de forma clara os papéis e responsabilidades de cada ente governamental envolvido com o tema ‘redes de comunicação de dados do Governo Federal’ e institua formalmente mecanismos de governança sobre o assunto que viabilizem a resolução de conflitos de forma célere e efetiva, a tomada de decisão ágil e informada, a otimização dos recursos governamentais e o fortalecimento da cooperação interinstitucional”.

Levando em conta que a auditoria tem o exercício de 2023 como base, mas a CGU vinha em contato com os órgãos desde então, tendo recebido notas técnicas ainda em 2024, a reportagem questionou o MCom se as medidas de correção já haviam sido implementadas. Em resposta, o ministério informou em nota que “a recomendação tem prazo de 12 meses e está sendo avaliada”.

Compartilhe

Renúncias esvaziam Conselho Fiscal da Oi, que convocará nova assembleia
Renúncias esvaziam Conselho Fiscal da Oi, que convocará nova assembleia
Fust, zero rating do Gov
Fust, zero rating do Gov.br e postes: a semana no Congresso
SpaceX, dona da Starlink, critica proposta de espectro da UE
SpaceX, dona da Starlink, critica proposta de espectro da UE
Bets: Anatel bloqueou 50 mil sites de apostas ilegais
Apple abre ecossistema móvel no Brasil após acordo com Cade
Apple abre ecossistema móvel no Brasil após acordo com Cade
ECA Digital: ANPD monitora 18 sites com conteúdo pornográfico
ANPD inicia fiscalização de verificação de idade em 18 sites adultos
ANPD inicia fiscalização de verificação de idade em 18 sites adultos
Governança de dados: gargalo é perder informações por troca de gestão política
Governança de dados: gargalo é perder informações por troca de gestão política
Na era dos agentes IA, a governança de dados dá vez a governança de conhecimento
Na era dos agentes IA, a governança de dados dá vez a governança de conhecimento
SC: programa de conectividade rural e em rodovias é aprovado
SC: programa de conectividade rural e em rodovias é aprovado