Para executivos, setor de telecomunicações mostrou resiliência na crise

A pandemia trouxe grandes perdas de vidas humanas, econômicas e sociais, mas mostrou que o setor de telecomunicações é resiliente e tem uma responsabilidade enorme com o país. A frase do diretor de Estratégia e Transformação da Oi, Rogério Takayanagui, resume a percepção das empresas que atuam nesse setor no período de isolamento social, quando conseguiram atender com qualidade a mudança da demanda por conectividade.

Takayanagui, que participou nesta segunda-feira, 17, junto com o CEO da Wirelink, Adriano Marques, de live promovida pelo Tele.Síntese, afirmou que a crise do coronavírus acelerou a transformação digital das empresas e das pessoas. “Eu acho que as mudanças no setor previstas para 2030 vão chegar antes”, comparou.

Marques, por sua vez, disse que as mudanças de hábitos do consumidor e das empresas, em função da pandemia, vieram para ficar. “Várias ferramentas, como as de videoconferência, de home office e a busca por conteúdo justificaram o avanço do tráfego, por pessoas que passaram a ficar mais em casa e esses hábitos vão continuar”, disse.

No caso da Wirelink, o crescimento do tráfego registrados nos primeiros dois meses da pandemia foi de 70%, mesmo com a redução do consumo por parte das corporações e governo. Na Oi, o aumento foi de 35% do tráfego e de 50% nas vendas, informou Takayanagui.

Os planos das duas operadoras para 2021, apesar da diferença de tamanhos, são convergentes: buscar o mercado de capitais para obter financiamentos para reforçar o core das redes e avançar, principalmente como infraestruturas neutras, nas cidades ainda não atendidas com conectividade de qualidade. “Será uma corrida pela comunicação muito mais rápida que antigamente, quem chegar primeiro vai beber a melhor água”, afirma Marques.

Retorno

Os dois executivos concordaram também com a retomada dos trabalhos nas empresas que, na opinião deles, se dará de forma escalonada, como já vem acontecendo. Compartilham a convicção de que algumas áreas serão mantidas em home office. Tanto Takayanagui como Marques acreditam que o contato pessoal melhora a fruição do trabalho e favorece o surgimento de novas ideias.

O diretor da Oi disse que, em pesquisa interna, a companhia constatou que 80% dos colaboradores aprovavam o home office, que melhorou a qualidade de vida e a produtividade deles. As queixas foram dedicadas aos hardwares, como cadeiras inapropriadas ao trabalho.

Competição

Os dois executivos também evitaram em falar de competição. Para Marques, a Wirelink é uma formiguinha ante a Oi, mas acredita que o mercado comporta todo mundo. “Haverá cidades onde as grandes não têm interesse e nós podemos levar a rede ao cliente, até mesmo alegando o backbone das teles”, disse.

Takayanagui vê guerra apenas no varejo. No atacado, aposta no modelo adotado pelas detentoras de torres, um mercado mais disciplinado, que evita redundâncias.

5G

A Oi admitiu o uso da tecnologia FWA (acesso via rádio a uma rede de telecomunicações) na faixa do 5G para prover banda larga fixa. “Esse tipo de rede pode ser implantado em alguns lugares do país, para desbravar, e depois substituir por fibra óptica caso a demanda justifique”, afirma. Ele, no entanto, disse que isso requer um número muito grande de antenas.

Adriano Marques, da Wirelink, acredita que a tecnologia FWA é uma solução para levar conectividade em locais onde é impossível se chegar por meio de fibra óptica. Ele disse que a empresa tem muito interesse em participar desse mercado, mas tem recurso escassos. Por isso, entende que a participação das empresas regionais se dará por meio do mercado secundário, usando a frequência das grandes que não querem atender mercados menos lucrativos.

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