Mattes: A falta de chips vai impulsionar ainda mais a nuvem?

Por Jônatas Mattes*

Há uma grave crise em curso que afeta a indústria global. Um número crescente de empresas está tendo muita dificuldade em comprar semicondutores, os “chips”, para produzir seus equipamentos. Carros, smartphones, computadores, servidores, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos em geral, tudo hoje depende deste componente, principalmente em nossa atual era da tecnologia conectada e inteligente.

Esta falta de chips tem vários fatores. Um deles é a atual pandemia, onde os fabricantes diminuíram por um período a produção, porém o isolamento social impulsionou as empresas de tecnologia, que compraram todos os recursos disponíveis no mercado. A China se precaveu a escassez por conta das sanções dos EUA e da pandemia, estocou e expandiu em larga escala seus estoques de processadores, o que só agravou o problema. Outros fatores também tiveram impacto, até uma grande fábrica pegou fogo no Japão, impactando o fornecimento de chips para a indústria automobilística global.

Grandes empresas como Intel, Cisco e muitas outras preveem que a normalização da produção e fornecimento de semicondutores, para atender a crescente necessidade da indústria (e das pessoas) poderá levar ainda alguns anos.

O impacto é o inevitável aumento de custos e a escassez de dispositivos. A tecnologia terá que dar novos saltos de eficiência, com maior capacidade de processamento e operações para cada milímetro de chip construído, maior durabilidade/longevidade dos dispositivos, buscando de uma forma inteligente evitar a rápida obsolescência destes dispositivos. Caso a situação se agrave ainda mais, é possível que veremos grandes coalizões de fabricantes de hardware, tecnologia e provedores de solução.

Sim, acredito que a computação em nuvem pública terá um uso ainda maior neste momento, pois traz um conceito de uso de tecnologia muito mais inteligente.

A nuvem pública permite o uso sob demanda, somente dos recursos necessários conforme o momento, não são necessários investimentos antecipados e nem o amplo planejamento. Isto permite que empresas e pessoas usufruam da infraestrutura de forma compartilhada, quando um não está usando, este recurso pode ser usado por outro, com elasticidade, escalabilidade, alta disponibilidade e segurança.

O ponto acima inclusive permite que empresas ao redor do globo usufruam de tecnologia, capacidade de processamento, armazenamento e quaisquer outros recursos de outras regiões que tenham a oferta disponível. Enquanto uma empresa no Brasil não precisa do recurso das 22h às 8h, outra empresa o pode usar em seu horário comercial na Índia, na Austrália ou em outro país conforme seu fuso horário.

Outro ponto importante é que as nuvens abstraem para os usuários toda a camada de aquisição, gestão e manutenção de equipamentos e datacenters (energia, climatização, suporte, etc). Isto traz economia em escala e a alta especialização também traz a manutenção otimizada e extensão da vida útil.

A nuvem pública crescerá ainda mais, porém precisará da mesma forma endereçar este desafio da falta de semicondutores, pois a nuvem também usa chips.

*Jônatas Mattes é fundador e Chief Visionary Officer da O3S

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