O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira, 2/6, um decreto sobre inteligência artificial (IA), que prevê a possibilidade de o governo supervisionar os modelos mais avançados em nome da segurança digital. As novas regras foram acordadas com empresas líderes em IA nos Estados Unidos, como Google, OpenAI e Anthropic, para que elas submetam, de forma voluntária, seus modelos a uma avaliação do governo antes do lançamento.
O texto restabelece regras para a IA nos Estados Unidos e representa uma mudança de rumo no governo Trump, que até então reunia setores contrários a qualquer tipo de regulação em nome da competitividade com a China. No início deste ano, o cenário mudou quando o Mythos, da Anthropic, gerou preocupação ao demonstrar capacidade de expor falhas em sistemas digitais, incluindo os de bancos, governos e hospitais. A empresa optou por não lançar o modelo ao público.
De acordo com a nova medida, o Departamento do Tesouro, a Agência de Segurança Nacional e a agência CISA devem criar um centro de coordenação para a segurança digital em IA. O grupo vai atuar em conjunto com o setor privado e operadores de infraestruturas críticas para identificar falhas em sistemas e priorizar correções.
“É política dos Estados Unidos promover a inovação e a segurança da IA, trabalhando em colaboração com o setor privado para modernizar os sistemas de informação governamentais e privados e fortalecê-los contra ameaças externas; proteger o engenho e a propriedade intelectual americanos contra exploração e roubo por adversários; e cultivar as capacidades avançadas de IA dos Estados Unidos”, diz o decreto de Trump.
Uma versão anterior do decreto estava prevista para ser assinada em 25 de maio, mas Trump a cancelou poucas horas antes, afirmando que não concordava com “alguns aspectos” e que não queria “comprometer” a vantagem dos Estados Unidos em relação à China. O texto aprovado é quase idêntico à versão anterior. No entanto, o prazo para o exame voluntário dos novos modelos foi reduzido de 90 para 30 dias. “Na corrida pela IA, cada dia conta”, afirmou David Sacks, ex-assessor da Casa Branca para temas de IA.



