Fintechs brasileiras receberam mais de US$ 14,8 bilhões desde 2018

As fintechs brasileiras receberam mais de US$ 14,8 bilhões em aportes desde 2018. Só nos dois primeiros meses desse ano, foram US$ 168 milhões distribuídos em 25 rodadas de investimento. A saber, na América Latina como um todo, startups de todos os setores receberam, juntas, mais de US$ 41 bilhões no mesmo período. Dessa forma, fica evidente que as fintechs desempenham um papel fundamental no venture capital.

Para Tiago Ávila, Head of Data & OPS, “O volume investido revela que as fintechs constituem hoje o setor mais maduro dentro do ecossistema, capaz de atrair os maiores cheques. Ainda assim, há um espaço gigantesco para evolução deste setor”, afirma.

Prova disso é que, de acordo com dados do Distrito, as fintechs brasileiras caírem drasticamente — passando de US$ 2,68 bilhões em 2022 para US$ 1,03 bilhão em 2022. Mesmo diante dessa queda, esse foi o setor que mais captou investimentos no ano passado. 

Além disso, 4 dos 10 maiores deals do ano ficaram por conta das fintechs (QiTech – US$ 200 mi, Creditas – US$ 70 mi, Nomad – US$ 61 mi e Clara – US$ 60 mi).

O capital distribuído em estágios

Desde 2018, o estágio Series C foi o que concentrou maior volume de aportes, com US$ 3,6 bilhões investidos em 50 rodadas. Os estágios Series A e B também surpreenderam, com US$ 2,2 bilhões e US$ 3,4 bilhões, distribuídos em 269 e 108 aportes, respectivamente. 

“A evolução na maturidade do sistema é clara, com cada vez mais startups superando o que chamamos como o ‘vale da morte’, estágio que coloca em prova a qualidade da solução, sua aderência com as dores do mercado e a capacidade de sustentação e crescimento desses negócios”, pontua Ávila. 

Nos estágios iniciais (Anjo, Pré-Seed e Seed), foram mais de 1250 aportes, o que indica ainda um claro apetite de investidores em apostar e financiar em novos projetos. 

Apetite dos investidores em fintechs brasileiras

Com US$ 70,4 milhões, a Warburg Pincus foi a gestora de venture capital que mais investiu em fintechs brasileiras em 2023. Em seguida, se destacaram a Valor Capital e a Clocktower Technology Ventures, com US$ US$ 29,8 milhões e US$ 29,1 milhões, respectivamente.

Além disso, as corporações também não ficaram de fora, visto que essas startups são essenciais para impulsionar a inovação. A Inovabra Ventures, iniciativa de Corporate Venture Capital (CVC) do Bradesco, já aportou mais de US$ 40 milhões nessas startups. Similarmente, Qualcomm Ventures, CVC da Qualcomm Incorporated, já destinou US$ 48 milhões para fintechs.

Fusões e Aquisições

Não é surpresa que as fintechs se destacaram quando o assunto é operações de fusões e aquisições. Mesmo com o inverno vivenciado pelas startups em 2023, ocorreram 23 operações.

Apesar da forte atuação das corporações, a maturidade do ecossistema já tem possibilitado que outras startups, em estágios mais avançados, também participem ativamente das transações de fusões e aquisições. Enquanto as grandes empresas foram responsáveis por 46,2% destas movimentações, as startups colocaram-se como adquirentes em 48,1% das negociações realizadas ao longo do ano. 

Como a crise impactou as fintechs brasileiras?

Uma crise sem precedentes marcou o ano de 2023. A quebra do Silicon Valley Bank, a guerra na Ucrânia e o aumento da taxa de juros a nível mundial chacoalhou o mercado.

Nesse ínterim, as startups foram atingidas por um inverno rigoroso que fez os investimentos caírem em 51,4% no primeiro semestre de 2023 em comparação ao semestre anterior.

Obviamente, as fintechs brasileiras não saíram impune desse inverno. Dada a escassez de capital e o conservadorismo dos investidores, elas tiveram que se reinventar.

“Em 2023, acredito que muitos se voltaram para análises internas e, como vimos na mídia, isso levou a diversos lay-offs e reestruturações. Isso ocorreu porque os fundos tornaram-se muito mais seletivos em relação aos ativos nos quais investem”, avalia Julia De Luca, investment banking – tech coverage do Itaú BBA, “o que começa a acontecer nesse setor é a consolidação das teses”.

Assim, embora a crise econômica tenha abalado o setor, as fintechs mostraram que sua resiliência foi fundamental para sobreviver a tempos difíceis.

E o que podemos esperar para 2024?

Assim como já adiantado por Julia De Luca, para 2024, podemos esperar uma consolidação do setor. A tendência é que empresas menores e especializadas busquem fusões para formar entidades maiores, impulsionadas pelo limite de crescimento individual e pela necessidade de captar novos recursos.

No que tange ao mercado de venture capital, muitos fundos ainda detêm recursos significativos. Contudo, a alta nas taxas de juros tornou investimentos menos arriscados mais atraentes, fazendo com que os fundos adotassem uma postura de maior cautela, concentrando-se em empresas já presentes em seus portfólios.

A expectativa é que, com a abertura do mercado de ações americano e a entrada de empresas de tecnologia ainda privadas na bolsa, haja uma reciclagem de capital, atuando como um gatilho para novos investimentos. Embora seja improvável que o mercado retorne aos níveis de 2020 e 2021, um retorno aos níveis de 2019 já seria considerado uma recuperação significativa.

Quer saber mais sobre o cenário de fintechs? Então participe do Fintech Summit 2024 e fique por dentro das expectativas do venture capital para fintechs!

O post Fintechs brasileiras receberam mais de US$ 14,8 bilhões desde 2018 apareceu primeiro em Distrito.

Tags

Compartilhe

IA, cabos submarinos e escala 6×1: os destaques da semana no Congresso
IA, cabos submarinos e escala 6×1: os destaques da semana no Congresso
Anatel aprova regimente interno do GT de Consensualidade
Anatel aprova regimente interno do GT de Consensualidade
Brasil é parceiro chave na agenda digital, diz representante da Comissão Europeia
Brasil é parceiro chave na agenda digital, diz representante da Comissão Europeia
Vazamento de dados da Polícia Civil do Maranhão no PIX é o quinto episódio do ano
Enquanto mercado funcionar, não há problema na concentração, diz Anatel
Enquanto mercado funcionar, não há problema na concentração, diz Anatel
Segurança para quem atua nas redes de telecomunicações
Telecom e Radiodifusão geraram 540 mil empregos formais em 2025
Prazo para pedir parabólica gratuita termina neste sábado
Prazo para pedir parabólica gratuita termina neste sábado
810 milhões de mulheres não têm acesso à Internet móvel
810 milhões de mulheres não têm acesso à Internet móvel
TIM amplia cobertura 5G em Olinda com antenas integradas às fachadas
TIM amplia cobertura 5G em Olinda com antenas integradas às fachadas