Compradores de celulares roubados no Maranhão devem devolver aparelhos

Compradores de celulares roubados no Maranhão devem devolver aparelhos

Imagina: você compra um celular pela internet, tudo parece ótimo, o preço está tentador, o aparelho em bom estado. Mas, de repente, você recebe uma mensagem da polícia dizendo que o celular que você acabou de comprar é roubado e que você precisa devolvê-lo. Pois é, essa situação inusitada está acontecendo com frequência no Maranhão, graças ao programa “Meu Celular de Volta”, da Polícia Civil.

Tela de um celular exibindo uma mensagem de intimação da Polícia Civil, direcionada a uma pessoa em São Luís, Maranhão. O texto informa que o destinatário deve comparecer ao Ginásio Georgiana Pflueger (conhecido como Castelinho), localizado na Av. Castelinho, 62, no bairro Jordoa, São Luís/MA, no dia 22 de outubro de 2024, das 9h às 16h. A mensagem solicita que o intimado leve um documento de identificação junto com o mandado de intimação e procure o delegado Luigi Conte ao chegar. Além disso, o texto alerta que a ausência pode constituir crime de desobediência, conforme o artigo 330 do Código Penal.
Imagem: Reprodução/TV Globo

O programa, que já conseguiu recuperar mais de 400 aparelhos só em São Luís, está obrigando compradores de celulares roubados ou furtados a devolverem os dispositivos. Até agora, cerca de 2 mil pessoas foram intimadas a comparecer à polícia para entregar os aparelhos. O que antes era uma prática difícil de combater, agora está sendo desmantelada com a ajuda da tecnologia e das operadoras de telefonia.

Como funciona?

Tudo começa quando uma pessoa tem o celular roubado ou furtado e faz um boletim de ocorrência, informando o número do IMEI — uma espécie de “RG” do aparelho. Com isso, a polícia aciona as operadoras, que são obrigadas a fornecer informações sobre quem está utilizando o celular. O programa cruza essas informações e envia uma mensagem diretamente ao aparelho, intimando o novo usuário a devolver o celular.

A diarista Keila Rabelo passou por essa experiência recentemente. Ela comprou um celular usado pela internet para presentear a mãe, mas na última segunda-feira (21), recebeu a mensagem da polícia. Mesmo sem saber que o aparelho era roubado, ela fez questão de devolvê-lo. “Comprei por maldade nenhuma, nunca pensei em passar por isso. Já vim entregar o celular e espero que a dona possa encontrá-lo”, contou Keila.

Força-tarefa

Na terça-feira (22), em São Luís, a polícia mobilizou 80 agentes em uma operação para recuperar os celulares roubados. A tecnologia utilizada no programa já havia sido testada no Piauí e mostrou resultados promissores. O objetivo não é apenas recuperar os aparelhos, mas também combater o mercado paralelo de celulares roubados, um problema grave que afeta milhares de brasileiros.

Francisco das Chagas também foi pego de surpresa. Sua filha comprou um celular pela internet para presentear a mãe, mas ele acabou recebendo uma intimação para devolver o aparelho. “Foi um susto, mas viemos aqui fazer a coisa certa”, disse ele.

Quem devolve o celular voluntariamente não enfrenta penalidades. A pessoa recebe um comprovante de devolução e segue com sua vida. Porém, aqueles que insistem em manter o aparelho podem ser enquadrados por receptação, um crime que pode levar a pena de até quatro anos de prisão.

Por que desconfiar de ofertas milagrosas?

A principal recomendação da polícia é que as pessoas desconfiem de preços muito baixos ou de ofertas sem nota fiscal. Geralmente, esses celulares têm origem ilícita, e o barato pode sair caro. “Essas pessoas têm a chance de fazer a coisa certa ao devolver o aparelho, mas é importante que todos fiquem atentos e evitem comprar produtos sem procedência”, explicou Luigi Conte, coordenador do programa.

A próxima fase do programa “Meu Celular de Volta” será ainda mais focada em identificar os revendedores de aparelhos roubados, e a polícia já está montando um plano de ação para desmantelar as redes criminosas envolvidas.

A luta contra o crime

O programa “Meu Celular de Volta” tem sido um verdadeiro sucesso. Desde o seu lançamento no final de setembro, já foram localizados dois mil celulares, e mais de 400 já estão a caminho de serem devolvidos aos seus donos. O governo do Maranhão, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, pretende expandir o programa para outras cidades do estado, como Imperatriz, nos próximos meses.

O secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, destaca que essa é apenas uma das muitas iniciativas para combater a criminalidade no estado. “Estamos trabalhando para garantir mais segurança à população e impedir que crimes como roubo de celulares continuem acontecendo. Esse é um passo importante nessa luta”, afirmou o secretário.

O governador Carlos Brandão, por sua vez, celebrou o destaque do programa, que ontem (22) foi notícia no Jornal Hoje e Jornal Nacional, da TV Globo. “É gratificante ver o Maranhão liderando essa iniciativa que está fazendo a diferença na vida das pessoas”, declarou Brandão.

Se você está pensando em comprar um celular por aí, lembre-se: desconfie de ofertas boas demais para ser verdade. O barato pode, literalmente, custar caro.

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