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Chuvas no RS: redes ópticas podem levar até um ano para serem restauradas

Desde que o Rio Grande do Sul foi atingido por fortes chuvas, deixando milhares de pessoas desabrigadas e sem comunicação, ainda não há previsão de quando a situação será normalizada no estado. Dentre os estragos deixados pelas enchentes, os serviços de telecomunicações foram um dos mais danificados, como a banda larga fornecido pelas redes ópticas e a telefonia móvel.

Imagem: Poder 360

A cobertura celular já foi restabelecida em todas as cidades do Rio Grande do Sul, de acordo com o governo federal, mas restaurar a infraestrutura de fibra óptica que transmite dados em alta velocidade deve levar alguns meses, e até um ano.

De acordo com especialistas, nas redes externas, os estragos causados pelas enchentes ainda estão sendo calculados, mas já se trabalha com a possibilidade de rompimento ou danificação desses cabos de fibra óptica. Sem falar que alguns postes de energia que suportam esses casos, foram derrubados.

O Gerente de Engenharia da Fibracem, companhia especializada no mercado brasileiro de comunicação óptica, Sebastião Rezende, explica que “Em situações como essas, equipamentos de rede que não tenham a chamada proteção IP 67 e IP 68 – que certifica uma vedação altamente eficaz em caso de submersão – ou que porventura foram instalados sem a precisão indicada, podem ser inundados e, com isso, comprometendo seu funcionamento e, inclusive, exigindo substituição“.

Embora empresas de telecomunicações e o próprio governo estejam trabalhando para levar internet para auxiliar os órgãos e as equipes de resgates, em algumas situações a falta de comunicação ainda é um ponto sensível.

“Sem falar que, sem uma internet funcionando, equipes de resgate ficam impossibilitadas de contar com recursos importantes, como geolocalização, que facilitaria e daria mais celeridade ao processo de busca e resgate de sobreviventes”, comenta Rezende.

Data centers

Para além da infraestrutura externa das redes ópticas, é necessário também uma restauração interna dos data centers, que são centros neurais da tecnologia e importa sismos para manter a conectividade e a continuidade dos serviços digitais. Muitos deles foram altamente danificados pelas enchentes.

Para Marcos Ceacero, especialista técnico da Fibracem, o alagamento do aeroporto internacional de Porto Alegre, que permanece fechado por tempo indeterminado, é um forte indício de que a enchente danificou, inclusive, a infraestrutura de rede interna responsável pela comunicação aeroportuária.

“Pode se levar tempo para a reestruturação de toda essa parte, pois é bem provável que, no mínimo, 60% dos componentes presentes para o funcionamento de um data center foi comprometido e deverá ser substituído”, afirma.

Além disso, é necessário entender até que ponto é possível fazer a recuperação das redes ópticas no momento atual. Isto porque, além de esperar o recuo das águas das cidades, é importante ficar atento para possíveis novos estragos naqueles que já foram restaurados.

Acontece que a previsão de chuvas fortes no Rio Grande do Sul ainda preocupa as autoridades e a população. Embora não tenha sido com muita força, os temporais atingiram o estado nesta quinta-feira (16), com um itensificação ao longo da tarde.

Devido aos altos volumes previstos, institutos de meteorologia como o INMET e Climatempo emitiram alertas para as regiões mais ameaçadas. Além das chuvas fortes, há possibilidade de raios e ventos intensos de 70 a 85 quilômetros por hora.

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