A Brisanet, a Unifique e a Amazônia Serviços Digitais saíram do leilão da faixa de 700 MHz da Anatel com discurso de expansão regional, cumprimento de obrigações e correção de uma distorção criada após a devolução da faixa no ciclo do 5G. As empresas venceram lotes estratégicos do certame realizado nesta segunda-feira, 4, em Brasília, em uma disputa sem concorrência efetiva entre propostas.

A Brisanet ficou com dois lotes: o A2, referente ao Nordeste, por R$ 6,275 milhões, e o A3, referente ao Centro-Oeste, por R$ 1,853 milhão. A Amazônia Serviços Digitais venceu o lote A1, que reúne Norte e São Paulo, por R$ 7,010 milhões. A Unifique levou o lote A4, da região Sul, por R$ 3,418 milhões. A IEZ Telecom venceu o lote A5, que abrange Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, por R$ 4,430 milhões. O valor total das propostas vencedoras foi de R$ 22,987 milhões.
Brisanet fala em erro a ser reparado
A Brisanet foi a vencedora com maior presença no certame, ao arrematar dois lotes. A empresa avaliou que o leilão da faixa de 700 MHz corrige um problema iniciado após o leilão do 5G, quando as regionais ficaram sem o complemento de espectro de cobertura necessário para sustentar operações móveis fora dos grandes centros.
Segundo José Roberto Nogueira, presidente da companhia, “este leilão dos 700 foi um erro a ser reparado” e que o certame, “mesmo atrasado e após cinco anos, está vindo para uma reparação histórica da frequência 3,5 GHz”.
Ele também disse que, “depois de cinco anos de atraso, o leilão ocorreu e foi uma reparação justa por parte da Anatel”. O argumento da Brisanet é que a faixa de 3,5 GHz, obtida no leilão do 5G, garante capacidade, mas não resolve sozinha a cobertura móvel em áreas rurais, rodovias e localidades de baixa densidade.
700 MHz complementa o 5G
Brisanet seguiu a linha de raciocínio da Anatel, de que faixa de 700 MHz é considerada essencial para dar cobertura de maior alcance, por ser uma frequência sub-1 GHz, com melhor propagação e, portanto, uma estação em 700 MHz pode alcançar, em área rural, raio superior a 20 km ou 30 km, enquanto a faixa de 3,5 GHz tem cobertura menor e exige maior densidade de sites, para defender a atualidade do certame. A empresa afirmou que, “até 2025, os celulares eram 4G e 5G” e que “a indústria não se atentou para este fato”. Para a operadora, em função do atraso na troca de celulares de 4G para 5G, o leilão de 700 MHz “ainda é muito necessário”.
A estratégia utilizada pela Anatel é a de combinar faixas: 700 MHz para cobertura 4G e 3,5 GHz para capacidade 5G.
Prazos e compromissos: BR-101 e prazos do edital
Segundo o presidente da Brisanet, a empresa “entregará a BR-101 100% coberta” e que “cumprirá todos os prazos e compromissos estabelecidos”. A rodovia foi tratada como prioridade tanto pelo Ministério das Comunicações quanto pela Anatel.
Pelo cronograma apresentado pela agência, as vencedoras dos lotes A1 a A5 terão de atender, até dezembro de 2026, 20% das localidades previstas e 100% dos trechos de rodovias prioritários. Depois, o atendimento avança de forma escalonada até 2030, quando devem estar cobertas 100% das localidades e 100% dos trechos de rodovias não prioritários.
No total, o leilão envolve 864 novas localidades e população estimada de cerca de 681 mil pessoas. Também há compromissos em 218 trechos de rodovias, com extensão superior a 6,5 mil km.
“O Brasil precisa de uma quarta operadora”
José Roberto Nogueira, da Brisanet, também usou o resultado para defender a necessidade de ampliação da competição no mercado móvel. A empresa afirmou que “o Brasil precisa de uma quarta operadora” e associou o leilão à possibilidade de fortalecimento das regionais.
A operadora sustentou que, até 2021, as empresas regionais “abraçaram o projeto dos clientes do campo”, cobrindo mais de 40% desse público. A tese é que as regionais já demonstraram capacidade de atendimento em áreas menos atrativas para grandes grupos nacionais e, com a faixa de 700 MHz, passam a ter condição técnica mais adequada para ampliar cobertura móvel.
No Centro-Oeste, onde venceu o lote A3, a Brisanet afirmou que pretende cobrir 120 novas cidades em breve. O lote é o menor em valor entre os vencidos pela empresa, mas tem peso estratégico para a expansão fora de sua base original no Nordeste.
Estratégia de Amazônia 5G e Unifique
A operação do lote A1 terá execução conjunta entre Amazônia Serviços Digitais e Unifique. O lote reúne a região Norte e São Paulo, o que exige atuação em áreas com características distintas de cobertura, densidade populacional e operação de rede.
Segundo as empresas, a parceria funcionará com divisão operacional: a Amazônia terá responsabilidade pela região Norte, enquanto a Unifique ficará encarregada da parte de São Paulo. As companhias também informaram que já há fornecedor contratado para a implantação da rede.
A modelagem reforça uma estratégia de cooperação entre regionais para cumprir obrigações do edital em áreas geográficas extensas. No caso da Amazônia, o desafio envolve cobertura em localidades remotas e rodovias federais. No caso da Unifique, a atuação em São Paulo amplia a presença da empresa para além de sua base mais consolidada no Sul.
Resultado fortalece regionais, mas aumenta cobrança
O resultado do leilão atende à diretriz da Anatel de complementar a capacidade de espectro dos entrantes regionais. Ao mesmo tempo, cria nova camada de obrigações para empresas que já assumiram compromissos no leilão do 5G.
A agência afirmou que acompanha o cumprimento das metas anteriores e que há processos de controle e fiscalização em andamento. Também destacou que existem garantias em caso de descumprimento.
Com a faixa de 700 MHz, as vencedoras passam a ter um ativo considerado central para cobertura móvel. O desafio, a partir da assinatura dos termos de autorização, será transformar a vitória no certame em implantação efetiva de rede em rodovias, localidades rurais e áreas ainda sem serviço móvel.
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