Brasil não tem mais chance para o erro e precisa colocar a produtividade na agenda pública

A pandemia da Covid-19 frustrou o crescimento econômico global e seus efeitos estão sendo duradouros sobre o Produto Interno Bruto dos países. À exceção da economia dos Estados Unidos, nenhuma outra retomou a tendência de crescimento que tinha antes dos anos 2020. O panorama internacional, com os efeitos econômicos persistentes da pandemia, e a instabilidade e incerteza no mundo impõem custos que geram pressões inflacionárias, culminando na dificuldade de ciclos positivos pró-investimentos e nos quais reside a manutenção de taxas de juros elevadas.

“Então, não é olhando para fora que vamos achar a alavanca para o Brasil”, resumiu Claudia Viegas, sócia da Ecoa Consultoria Econômica, após traçar um breve panorama da situação econômica internacional, ao palestrar no Painel Telebrasil Summit 2026, realizado em Brasília. A economista analisou o contexto econômico internacional, como ele aterrissa na economia brasileira e de que forma os setores de telecomunicações e tecnologia da informação são relevantes para o País.

De acordo com a especialista, o mundo retornou ao patamar de 2008, quando houve a maior crise do capitalismo, superando a de 1929. “O ápice de 2008 foi superado pela pandemia. Está muito difícil navegar, saber em que setores que temos de investir e ter visão apurada dos indicadores econômicos”, assinalou.

No Brasil, Viegas apontou que o crescimento modesto no PIB atrasa a recuperação da renda brasileira. “Não tivemos uma recuperação em V. Nosso PIB per capita teve 11 anos de perda e só em 2024 retomamos o PIB per capita que tivemos em 2013; isso nos coloca em situação difícil”, ressaltou a sócia da Ecoa Consultoria Econômica, que palestra há mais de uma década no Painel Telebrasil.

Além do mercado internacional, três vetores de crescimento enfrentam restrições que comprometem o potencial da economia brasileira. Os investimentos públicos estão limitados pela trajetória ascendente da dívida pública e a rigidez orçamentária; a restrição no consumo interno das famílias, com 44,7% da população com contas em atraso; e a taxa Selic no maior patamar dos últimos 20 anos limitando a ampliação de investimentos privados.

Houve ainda queda de 1% na produtividade nos últimos 15 anos. Para reverter esse quadro, a Internet das Coisas (IoT) pode ser uma aliada. “Sempre que se consegue ter penetração de IoT você tem um salto de produtividade, gerando aumento do PIB, competitividade e redução de custos”, apontou. Falando sobre a relevância do setor de telecomunicações e TI, destacou que somam 1 milhão de empresas, com 2,7 milhões de ocupações diretas e mais de R$ 20 bilhões por ano de arrecadação de ICMS.

“Há 12 anos, eu estava no Painel Telebrasil falando que o Brasil tinha uma janela de oportunidade que ia se fechar, porque tínhamos mais pessoas no mercado de trabalho do que fora dele”, relembrou. Mas o bônus demográfico não existe mais, uma vez que a população envelheceu, mudando a pirâmide etária. “Não temos mais condição de erro e de não colocar ganho de produtividade na agenda pública”, frisou Claudia Viegas.

Entre as oportunidades, a especialista destacou o Pix como inclusão financeira e vetor de formalização da economia, refletindo em aumento de arrecadação e de produtividade. O segundo exemplo é o governo digital e as políticas públicas de digitalização de serviços públicos, com a interoperabilidade de dados, que geraram economia estimada de R$ 8 bilhões aos cofres públicos desde 2023.

Por fim – em linha com o envelhecimento da população –, a expansão da telessaúde do SUS está associada à redução de internacionais evitáveis e à economia de recursos públicos. “O setor de telecom é a infraestrutura que permite ampliar os ganhos econômicos e sociais da transformação digital, posicionando-se no centro da agenda de desenvolvimento econômico e social para o Brasil Digital”, finalizou.

*Com Agência Conexis

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