Apple recorre ao tribunal do Cade contra abertura de sistema

Apple recorre ao tribunal do Cade contra abertura de sistema

Apple entra com recurso no Cade contra abertura de sistema do iPhone
Apple entra com recurso no Cade contra abertura de sistema do iPhone (crédito: Freepik)

A Apple apresentou recurso ao Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra uma medida preventiva e a consequente instauração de um processo administrativo pela Superintendência-Geral (SG) do órgão antitruste. A big tech classificou as obrigações previstas na decisão de “desproporcionais”.

No fim de novembro, a SG determinou, com base em uma queixa apresentada pelo Mercado Livre, que a companhia norte-americana permita que desenvolvedores distribuam seus aplicativos para aparelhos que funcionam com o sistema iOS, como os celulares iPhone, por outros meios além da App Store, a loja online da Apple.

Em linhas gerais, a Apple pede que o Tribunal do Cade suspenda os efeitos da medida preventiva e revogue a decisão da SG. Caso a medida seja considerada necessária, a big tech solicita que os termos e os prazos previstos no despacho sejam reformulados.

Defesa

Na opinião da Apple, a medida “ameaça drasticamente” os protocolos de segurança e privacidade do seu sistema. A empresa ainda diz que não há “qualquer justificativa legal” para modificar o funcionamento do iPhone e da App Store.

No recurso, a companhia ainda destaca que “o design integrado do iPhone e o modelo de negócios da App Store permanecem, de modo geral, os mesmos “ há mais de 15 anos. Sendo assim, diz que “a referida medida não é urgente de forma alguma”.

Além disso, a Apple afirma que a SG, em um único ato, a acusou de uma suposta violação antitruste e “aplicou arbitrariamente uma punição completamente irrazoável e desproporcional”. Vale lembrar, a medida preventiva prevê, após o prazo de 20 dias, a aplicação de multa de R$ 250 mil por dia caso a Apple não adote mecanismos e ferramentas alternativas de distribuição de aplicativos.

Para a big tech, a medida preventiva utiliza bases e teorias “sem precedentes” para a abertura de uma investigação antitruste. Também diz que o despacho determina mudanças que, na prática, remodelam a operação do iPhone, cujas consequências são torná-lo “um produto menos seguro, privado e protegido”.

Adicionalmente, a Apple diz que a decisão da SG “desestabiliza um modelo de negócios global que tem sido aplicado por pelo menos 15 anos sem qualquer questionamento concorrencial no Brasil”. Por fim, a companhia com sede em Cupertino, na Califórnia, alega ser impossível cumprir a medida no prazo previsto.

“A ordem é irrazoável ao determinar a implementação de mudanças técnicas complexas dentro de um prazo irreal, sendo que muitas medidas demandariam a remodelação do iOS, algo que é impossível de cumprir dentro do prazo estabelecido”, pontua a empresa.

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