
A Alloha Fibra, dona da marca Giga+, reportou nesta terça-feira, 12, um primeiro trimestre de 2026 marcado por avanço de rentabilidade e retorno ao lucro líquido. Em entrevista ao Tele.Síntese, os executivos Roger Solé (CEO) e Felipe Matsunaga (CFO) afirmaram que a companhia encerrou o período com “o melhor EBITDA da história da empresa” pelo segundo trimestre consecutivo.
A operadora alcançou EBITDA de aproximadamente R$ 220 milhões no trimestre, ante cerca de R$ 203 milhões no quarto trimestre de 2025. A margem EBITDA avançou de 49% para 52,6% na comparação trimestral. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando a margem estava próxima de 46%, o avanço foi superior a seis pontos percentuais.
A receita líquida somou R$ 420 milhões, acima dos R$ 412 milhões registrados no trimestre anterior. Segundo a companhia, a melhora operacional foi impulsionada principalmente pela redução de despesas e maior disciplina financeira.
“O primeiro quarter de 26 foi robusto para a companhia, sob as óticas de EBITDA, de alavancagem e de lucro líquido”, afirmou Matsunaga.
A empresa também voltou a registrar lucro líquido após prejuízo no trimestre anterior. Os executivos não detalharam o valor do lucro, mas classificaram o movimento como um marco do processo de reestruturação iniciado há cerca de oito meses.
Redução da alavancagem
Outro indicador destacado pela companhia foi a redução da alavancagem financeira. A relação dívida líquida/EBITDA caiu de 3,3 vezes para 3,2 vezes no trimestre.
A dívida líquida encerrou março em aproximadamente R$ 2,575 bilhões, enquanto a dívida bruta ficou próxima de R$ 3 bilhões.
Segundo Felipe, a empresa também reverteu o consumo de caixa observado em 2025. “Geramos R$ 83 milhões de caixa no trimestre. Uma empresa que no primeiro semestre do ano passado queimou R$ 220 milhões de caixa”, afirmou Solé.
A companhia ressaltou ainda que não enfrenta pressão de liquidez em 2026 e que a geração operacional de caixa ficou acima do previsto inicialmente no orçamento.
Estratégia prioriza rentabilidade
Mesmo com melhora financeira, a Alloha voltou a registrar queda na base de clientes residenciais. A empresa terminou o trimestre com aproximadamente 1,335 milhão de assinantes B2C, redução de cerca de 60 mil a 65 mil clientes frente ao fim de 2025.
Os executivos afirmaram que a retração é calculada e deliberada, parte da estratégia de priorizar clientes de maior valor e menor inadimplência. Matsunaga diz que a Alloha endureceu critérios comerciais, implantou sistemas mais restritivos de análise de crédito e trocou canais de aquisição considerados pouco eficientes. Tal estratégia busca reduzir churn e aumentar o valor médio da base.
Apesar da redução de assinantes, o ticket médio da operação segue em alta. A expectativa da companhia é estabilizar a base ao longo dos próximos trimestres antes de voltar a crescer.
B2B cresce com cibersegurança
No segmento corporativo, a Alloha reportou crescimento impulsionado por projetos de conectividade associados a serviços de segurança digital.
Segundo Solé, a empresa vem explorando sua infraestrutura nacional, composta por cerca de 150 mil quilômetros de fibra óptica, para oferecer soluções integradas a preços competitivos.
“Observamos várias oportunidades no mercado e fomos atrás de projetos que tinham a ver com conectividade mais valor agregado de cibersegurança”, disse.
Os executivos afirmaram que o foco atual da companhia permanece no crescimento orgânico. A Alloha descartou, neste momento, interesse em participar do leilão judicial da Oi Soluções ou em realizar aquisições relevantes. Mas diz que fará parte da consolidação do mercado de banda larga fixa brasileiro.
Segundo o CFO, o mercado brasileiro de ISPs deve passar por consolidação nos próximos anos, em meio ao elevado nível de alavancagem financeira do setor.
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