AEB prioriza lançamentos de microssatélites no Centro de Alcântara

Base de lançamentos de Alcântara (Maranhão) / Foto: AEB

Após a aprovação do  Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) com os Estados Unidos, no ano passado, o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, já está na rota de negociações de contratos para o lançamento de microssatélites e constelações de aparelhos desse porte para observações detalhadas da superfície da Terra e telecomunicações. Os entendimentos são preliminares, mas já há termos de confidencialidade de dados assinados para a evolução de contratos envolvendo equipamentos com peso inferior a 100kg. Em meados deste ano devem ser discutidas as condições dos contratos. Especialistas apontam que esse segmento vai se consolidar e movimentar R$ 320 bilhões por ano até a próxima década.

“O setor de microssatélites é o nicho preferencial. De tudo que nós já estudamos, acreditamos que isso seja mais viável para o Brasil, neste momento”, afirmou ao Tele.Síntese o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Moura, referindo-se a negociações com pequenas e médias empresas estrangeiras. “Isso é uma tendência mundial irreversível. Inclusive já se discute se o setor de comunicações, praticamente todo absorvido pelos satélites geoestacionários, realmente não vai perder espaço para constelação de satélites em baixa órbita. A tecnologia está permitindo movimentos nesse sentido nos quatro cantos do mundo, envolvendo empresas americanas, europeias e chinesa”, avaliou.

Segundo Moura, as negociações com potenciais clientes estão na fase do “pré-flerte”, sem a divulgação dos interessados. A assinatura de termos de confidencialidade de informações segue as normas do acordo firmado com os EUA, que é detentor da maioria das patentes de equipamentos usados no setor espacial. Além disso, o presidente da AEB destacou que o centro poderá oferecer às empresas interessadas lançamento tanto por veículos lançadores quando por aeronaves.

Ele diz que Alcântara tem vantagens geográficas para atrair esses investimentos de menor porte por causa das vantagens geográficas que oferece por estar bastante próxima da linha do Equador, o que reduz os custos em 30%, e por já contar com uma estrutura mínima para os lançamentos. Além de plataformas, o centro já oferece radares e aparelhos de meteorologia.

“Esse mercado está crescendo muito. O investimento é de pequeno porte. São necessários pouquíssimas melhorias em Alcântara para entrar nesse mercado”, calculou. Ele disse que cerca de R$ 180 milhões relativos a emendas parlamentares e do Ministério da Defesa serão investidos para melhorar a infraestrutura de Alcântara, como o aeroporto do centro, e estimular a criação de um ecossistema de empresas do setor no Maranhão.

Reposição

O nicho dos microssatélites é avaliado como a nova onda do mercado aeroespacial que aproveita o embalo da miniaturização dos componentes, abrindo forte concorrência com os grandes satélites, que envolvem investimentos maiores. Em termos de constelações, estima-se que gravitam hoje cerca de 2.500 satélites em órbita. Nas próximas décadas, só a Space X quer lançar 42 mil. E tende a bombar na próxima década.

As constelações de satélites são outro atrativo do segmento de microssatélites pela necessidade de reposição dos aparelhos entre três a cinco anos. “Provavelmente haverá  problema de reposição desses satélites. Então, para Alcântara, essas constelações abrem o mercado muito interessante porque é um trabalho continuado”, projetou. Depois disso, Moura espera que a experiência puxe a fila para lançamentos de projetos maiores.

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Source: TeleSíntese

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