O Santo Sudário é real? Saiba o que dizem as últimas evidências científicas

O Santo Sudário é real? Saiba o que dizem as últimas evidências científicas

Também chamado de Sudário de Turim, o Santo Sudário é um pano de linho que os cristãos acreditam que foi usado para envolver o corpo de Jesus Cristo depois que Ele foi crucificado. Esta relíquia é extremamente preciosa para o cristianismo, e mostraria marcas da flagelação sofrida pelo messias.

Embora o pano realmente exista, há ainda muita controvérsia em torno de sua veracidade. Descubra a seguir o que as últimas descobertas científicas dizem atualmente sobre o Santo Sudário.

O que se sabe sobre o pano que teria coberto Jesus Cristo?

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Os cristãos acreditam que este pano cobriu Jesus Cristo depois de morto. (Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

O pano que supostamente cobriu o corpo de Jesus Cristo não é pequeno: ele tem cerca de 4 metros no total, e é considerado o objeto arqueológico mais estudado do mundo. Desde 1578, ele é preservado na cidade de Turim, na Itália, dentro da Capela do Santo Sudário.

O sudário exibe as costas e a frente de um homem de barba, bigode e cabelo na altura dos ombros, o que pode sugerir a conhecida imagem que circula de Jesus Cristo. Alguns especialistas estimam que o homem ali retratado teria cerca de 1,73 metro de altura.

Além disso, o pano está manchado com um material escuro que pode lembrar sangue, o que confirmaria a morte violenta que Jesus sofreu ao ser pendurado em uma cruz. A relíquia foi exibida pela primeira vez em 1355, em Lirey, na Franca. Em 1453, foi adquirido pela Casa Real de Saboia e depois transferido para Turim.

As evidências científicas sobre o Santo Sudário

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A imagem completa do pano. (Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

Os fieis acreditam que este pano mostra detalhes do sofrimento de Jesus, incluindo marcas da coroa de espinhos que ele usava no momento de sua morte. Mas a ciência ainda não confirmou por definitivo essas afirmações, e o debate em torno de sua autenticidade já dura muitos séculos. 

Alguns estudos recentes, inclusive, apontam que a peça se trata de um engodo, e que o Sudário de Turim seria uma “relíquia” fraudulenta criada durante a Idade Média. Em 1988, uma pesquisa resolveu usar testes de datação por radiocarbono e determinou que o sudário foi elaborado entre 1260 e 1390 d.C, o que sugeriria que ele não é velho o suficiente para ter sido usado no sepultamento de Jesus. Entretanto, os resultados dessa pesquisa foram questionados.

Outras investigações chegaram a outras conclusões. Análises forenses identificaram substâncias como creatinina e ferritina no sudário, que costumam estar presentes em vítimas de traumas graves, o que endossa a ideia de que ele foi marcado pelo corpo de uma pessoa ferida.

Mais recentemente, em 2022, um estudo publicado na Heritage utilizou a análise de raios X para investigar o linho presente no Sudário de Turim. “Os resultados experimentais são compatíveis com a hipótese de que o Sudário de Turim é uma relíquia de 2 mil anos, como suposto pela tradição cristã”, escreveram os autores.

Os cientistas ainda descobriram que a celulose presente nas fibras do sudário pode ter envelhecido devagar desde o século XIV devido às temperaturas ambientes mais baixas na Europa. A temporalidade do tecido levanta a hipótese de que o pano pode ter sido criado antes da Idade Média. Portanto, ele poderia ser real.

Só que outros estudos sugerem conclusões opostas. Uma pesquisa publicada em 2024 afirmou que é “improvável” que o Santo Sudário seja dos tempos bíblicos. O experimento – que foi liderado por um brasileiro chamado Cícero Moraes, especialista em reconstrução digital 3D – indicou que o manto provavelmente não foi utilizado para envolver o corpo de Jesus Cristo após sua morte.

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Estudo feito pelo designer Cícero Moraes. (Fonte: Cicero Moraes / Reprodução)

O designer, reconhecido por seu trabalho em reconstrução facial forense, usou o seguinte método: colocou uma tela sobre o modelo de um corpo e depois transferiu a imagem resultante para um plano 2D, o que teria revelado uma “imagem distorcida e muito mais robusta” do que a observada no chamado “Santo Sudário”.

Ao History Channel, Moraes explicou que “quando se envolve um objeto tridimensional com um tecido e ele deixa um padrão, como manchas de sangue, essas manchas formam uma estrutura mais espessa e deformada em relação à fonte original. Em termos gerais, o resultado seria uma impressão mais inchada e distorcida do corpo, e não uma imagem semelhante a uma fotocópia”.

Seu estudo então conclui que provavelmente o pano não marcou o corpo de Jesus. “De um lado estão aqueles que acham que é um sudário autêntico de Jesus Cristo; do outro, aqueles que acham que é uma falsificação. Mas estou inclinado a outra abordagem: que é, de fato, uma obra de arte cristã, que conseguiu transmitir sua mensagem pretendida com muito sucesso”, pontuou.

Independente de qual seja a “verdade” sobre o Santo Sudário, o fato é que ele permanece como um dos itens mais importantes dentro da devoção cristã – algo que, certamente, não pode ser contestado.

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