Estamos prestes a celebrar mais um Dia Internacional da Mulher, um marco de luta e conquistas pela igualdade de gênero. Mas, em muitos setores, a equidade ainda é um desafio – e a tecnologia é um dos exemplos mais evidentes dessa disparidade. Atualmente, menos de 40% dos empregos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) são ocupados por mulheres.
Os números são desafiadores, mas há avanços. Nos últimos três anos, a presença feminina na tecnologia cresceu 1,5 ponto percentual acima da masculina, segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Isso mostra que estamos conquistando espaço, mesmo em um cenário historicamente desigual. Ainda assim, há um longo caminho a percorrer – e precisamos acelerar esse processo.
Os desafios que dificultam a entrada e a permanência das mulheres na tecnologia são estruturais e culturais. Tudo começa na formação: a baixa representatividade feminina em cursos técnicos e superiores de TI reforça a ideia errônea de que essa é uma profissão predominantemente masculina. Além disso, muitas empresas ainda perpetuam um viés inconsciente na contratação, acreditando que mulheres podem ter dificuldades em cargos técnicos. Essa mentalidade restringe oportunidades e mantém o ciclo de exclusão.
A mudança deve ser prioridade das organizações. Não basta incentivar; é preciso garantir políticas efetivas de inclusão, desde a contratação até a retenção e promoção dessas profissionais.
Mas a responsabilidade não é apenas das empresas. Como profissionais da tecnologia, devemos ser agentes dessa transformação, ampliando o debate, incentivando mais mulheres a ingressar na área e garantindo que tenham oportunidades reais de crescimento.
A história da tecnologia foi moldada por mulheres brilhantes, muitas vezes invisibilizadas. Tomemos como exemplos Grace Hopper – Criadora da primeira linguagem de programação, e Hedy Lamarr – Inventora da tecnologia que deu origem ao Wi-Fi.
Sou otimista e acredito que o futuro será cada vez mais feminino na tecnologia. Estamos entrando na Era Cognitiva, onde a tecnologia não apenas automatiza processos, mas cria novas realidades. Nessa nova fase, a diversidade será um fator-chave para a inovação, e a presença feminina terá um papel essencial.
Ainda há desafios a serem superados, mas quanto mais mulheres conquistarem espaço e assumirem posições de liderança, mais rápido quebraremos barreiras e inspiraremos novas gerações a ingressarem na tecnologia. Um futuro inovador e sustentável depende de times diversos liderando essa transformação digital.
– Sim, este mundo é para você! Acredite no seu potencial e não aceite a ideia de que tecnologia não é para mulheres. Busque conhecimento, aprenda continuamente e, acima de tudo, não tenha medo de se posicionar.
– Construa uma rede de apoio. Ter mentores e referências femininas faz toda a diferença. Além disso, desenvolva habilidades além da técnica, como comunicação e pensamento estratégico, pois isso ampliará suas oportunidades na área.
E, se você é líder, mentor ou trabalha no setor, reflita: sua empresa está realmente abrindo espaço para as mulheres?
Paula Rodrigues, Vice-Presidente de Tecnologia e Transformação da Vitru Educação.