A Marinha dos Estados Unidos e a divisão Director, Operational Test & Evaluation (DOT&E) do Departamento de Defesa do país divulgaram a primeira imagem em operação de uma tecnologia militar carregada de expectativa. É o HELIOS, um armamento laser de alta potência embutido em embarcações.
A foto foi revelada em um relatório anual do escritório de testes dos EUA, publicado no fim de janeiro de 2025. Imagens anteriores, que eram renderizações em 3D, mostravam apenas o equipamento instalado ou então o navio escolhido para abrigar o equipamento.
O teste foi executado em uma data não revelada pela Marinha, mas não foi o primeiro realizado pela embarcação. O objetivo era “verificar e validar a funcionalidade, performance e capacidade” da arma contra alvos não tripulados, com dados e materiais em vídeo coletados para avaliar o sistema.
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O canhão está em fase experimental há ao menos quatro anos, mas não tem previsão para começar a ser utilizado oficialmente em combates. Ainda são necessários alguns ajustes, como melhorar a eficiência energética dos disparos e verificar o desempenho dos tiros em condições climáticas desfavoráveis.
Como funciona a arma laser naval dos EUA?
A tecnologia HELIOS é uma sigla para High Energy Laser with Integrated Optical-dazzler and Surveillance — ou laser de alta capacidade energética com desorientador óptico e de vigilância, em tradução livre para o português.
O projeto foi iniciado em 2018 e a fabricante responsável é a Lockheed Martin, que recebeu um orçamento de US$ 150 milhões (mais de R$ 875 milhões) para desenvolver e fabricar o armamento em versões naval e terrestre. Ao menos mais quatro países estão desenvolvendo tecnologias parecidas: Reino Unido, Coreia do Sul, Rússia e Israel, que também já testam esse tipo de armamento em navios de combate.
O laser disparado pelo HELIOS tem 60 kW inicialmente, mas pode ser personalizado para quase triplicar de potência. Esse é tido como o seu principal trunfo: a alta capacidade energética e a possibilidade de disparar um feixe contínuo que dura mais do que munições convencionais de navios, sendo igualmente eficiente em causar danos.
Outro trunfo da embarcação é o sistema Aegis, um equipamento de combate que ajuda a rastrear e neutralizar alvos de forma mais eficiente. A arma é resfriada usando ar e a própria água do mar que é armazenada dentro do navio.
Fora o canhão, o sistema inclui uma tecnologia que ofusca e confunde sensores inimigos, ajudando a desviar drones e mísseis do alvo original. Ele traz ainda um moderno sistema de monitoramento e inteligência para fornecer dados antecipadamente para os operadores humanos.
O equipamento vai funcionar inicialmente acoplado no USS Preble (também chamado de DDG 88), um destroier da Marinha. A ideia é que ele seja capaz de derrubar drones, mísseis e outros veículos de alta velocidade e capacidade bélica. Em uma segunda fase, o sistema será instalado em outras embarcações militares.