A empresa britânica Meatly, especializada no desenvolvimento de carne criada artificialmente, lançou no mercado a primeira ração para cachorro com uma proteína animal feita em laboratório. O produto se chama Chick Bites, tem sabor de frango e por enquanto só é vendido de forma limitada no Reino Unido.
O lançamento é uma parceria da Meatly com a empresa de alimentação para pets The Pack. O laboratório conseguiu autorização no país ainda em 2024 para produzir a carne e, após esse primeiro teste, pretende expandir as fábricas e as vendas até para outros países. Ela também já pode comercializar o produto nos Estados Unidos.
A fabricante diz ainda que o resultado é “tão saboroso e nutritivo quanto um peito de frango tradicional“, incluindo vitaminas, minerais, gorduras e aminoácidos necessários para o animal no consumo de carne.
Carne ao mesmo tempo real e artificial
A ração em questão combina ingredientes de origem vegetal com a carne de frango produzida em laboratório pela Meatly. Segundo a companhia, o processo envolve a retirada de uma amostra de células de um ovo de galinha, que é cultivado até se desenvolver em pedaços maiores.
A ideia da Meatly é ser destaque em um mercado que prega um modelo mais sustentável de obtenção de carne e também sem a crueldade já conhecida da indústria de criação de animais, algo feito em enormes quantidades para abate e consumo e normalmente sem boas condições para vacas, galinhas, porcos e outros bichos.
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Para além das parcerias com marcas de ração animal, que é o mercado escolhido pela Meatly para começar nesse segmento, os produtos também podem no futuro ser direcionados para pessoas.
Israel, Estados Unidos e Cingapura são até agora os únicos países que aprovaram a comercialização da carne artificial para consumo humano e venda. Esse mercado, porém, já encara forte resistência e até possíveis banimentos — em especial por lobby do setor pecuarista e questões éticas ainda em debate.
Outro ponto em debate evolve o custo dessa indústria: ainda é caro e demorado cultivar carne em laboratório a partir de células a um nível industrial. O desenvolvimento do setor e o interesse de marcas, porém, pode ajudar a baratear e acelerar esses procedimentos.