Empresa israelense confirma que o governo dos EUA usa programa espião

Empresa israelense confirma que o governo dos EUA usa programa espião

O governo dos Estados Unidos está entre os clientes da empresa israelense de tecnologia Paragon Solutions, desenvolvedora do spyware Graphite. A confirmação foi dada na terça-feira (4) pelo presidente executivo da marca, John Fleming, ao TechCrunch.

Na semana passada, o WhatsApp revelou que a Paragon tentou instalar seu programa espião nos celulares de dezenas de jornalistas e membros da sociedade civil por meio de um ataque de clique zero. Com esta técnica, a implantação do malware no dispositivo acontece sem a necessidade de qualquer interação do usuário.

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O spyware Graphite pode ser instalado no celular mesmo sem qualquer ação do usuário. (Imagem: Getty Images/Reprodução)

“A Paragon licencia sua tecnologia para um grupo seleto de democracias globais — principalmente os Estados Unidos e seus aliados”, declarou Fleming à reportagem. Ele ressaltou que a empresa exige a concordância com termos e condições que “proíbem explicitamente o direcionamento ilícito de jornalistas e outras figuras da sociedade civil” ao usar o software espião.

O executivo também comentou que qualquer violação das políticas relacionada a tais práticas pode levar ao encerramento do vínculo. No entanto, não forneceu respostas quando questionado se a Paragon estaria investigando as alegações de abuso, como as denunciadas pelo WhatsApp, e se já cancelou contratos por esse motivo.

Itália também seria cliente da Paragon

Além dos EUA, o governo da Itália também estaria entre os clientes do software israelense, com funcionamento semelhante ao spyware Pegasus, de acordo com o site Ynetnews, informação que não foi confirmada pela Paragon. Um dos alvos do Graphite é o jornalista italiano, Francesco Cancellato, do site de notícias Fanpage.it.

No ano passado, ele foi o autor de uma reportagem que mostra vídeos de integrantes da ala jovem do partido Fratelli d’Italia fazendo comentários racistas e antissemitas, bem como entoando slogans nazistas e favoráveis ao ditador Benito Mussolini. O partido é liderado pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

Quem também teve o celular invadido pelo programa espião foi o ativista líbio, Husam El Gomati. Residente na Suécia, ele fez críticas à colaboração entre os governos da Líbia e da Itália para impedir a passagem de imigrantes líbios pelo Mar Mediterrâneo, dificultando sua chegada à Europa.

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