Autoconhecimento: o pilar da liderança autêntica

Autoconhecimento: o pilar da liderança autêntica

Até pouco tempo atrás, um clichê das entrevistas de emprego era a pergunta “qual é seu maior defeito?”, acompanhada da resposta “perfeccionismo”. Essa interação pretende uma profundidade que não é possível alcançar por diversos motivos, alguns mais evidentes e outros menos. Mas, entre eles, o fato de não haver características individuais que sejam 100% qualidades ou defeitos. A questão é como usamos esses traços de perfil a nosso favor – ou não. E, para isso, conhecer a si mesmo é a pedra fundamental desse desafio.

Quanto mais somos capazes de usar os predicados que nos compõem a nosso favor, dosando intensidade, oportunidade e forma, mais avançamos em direção a uma liderança autônoma e autêntica. Uma pesquisa realizada pela Robert Half revelou que 86% dos líderes acreditam que tomariam melhores decisões se tivessem mais autoconhecimento. Isso vale não só para as decisões de negócio como também para o desenvolvimento pessoal.

Um ex-chefe me disse, em um momento chave da minha trajetória, que eu jamais seria CEO por ser “low profile”. Na visão dele, minha discrição não refletia o chamado “perfil ideal”, o que ceifaria ambição e a consecutiva progressão da minha carreira. Então, me perguntei: posso e quero mudar essa característica em mim? Sendo alguém com esse perfil, como posso seguir? Entendi, então, que meu ponto forte eram as relações. Sendo discreto, eu me dedicava profundamente a estabelecer laços verdadeiros, conexões genuínas e, a partir desse entendimento, consegui virar o jogo a meu favor. A rede de pessoas com quem eu tinha conexão revelava mais sobre mim do que eu mesmo.

A liderança, por muito tempo, foi compreendida como a aplicação de técnicas e a reprodução de modelos bem-sucedidos. As redes sociais, por seu papel viral, ajudaram a difundir ideias pré-concebidas de gestão, vendidas no formato “receita de bolo”. No entanto, à medida que as dinâmicas organizacionais se tornam mais complexas e que a singularidade dos contextos ganha relevância, fica claro que não há uma fórmula universal para liderar. Então, não existe um melhor caminho a seguir?

Cada pessoa traz consigo experiências, valores e visões que influenciam sua maneira de compreender os desafios e tomar decisões. Esse repertório se atualiza todos os dias, seja por meio de aprendizados intencionais ou daqueles adquiridos nas interações espontâneas que realizamos com outras pessoas. Ser um bom líder, para mim, é colocar-se a serviço das pessoas, dispondo de maneira transparente desse arcabouço prévio.

Reconhecer-se como líder exige um mergulho profundo na própria história e nos aspectos que moldam sua identidade. O que você valoriza em um time? Como lida com conflitos? Quais são suas forças naturais e áreas de desenvolvimento? Ao responder a essas perguntas, você inicia o processo de construir uma abordagem alinhada à sua essência.

A importância da flexibilidade

Liderar não significa agir de maneira idêntica em todas as situações. Um líder autoconfiante e autêntico sabe que diferentes cenários demandam diferentes posturas. Um momento de crise pode exigir uma decisão rápida e firme, enquanto um período de inovação requer abertura para ideias e colaboração. Ser flexível não é abandonar seu estilo, mas adaptá-lo às necessidades do momento, mantendo a coerência com seus valores. E, para fazer isso, reforço: é preciso conhecer a si mesmo profundamente. “Torna-te quem tu és”, diriam Píndaro e Nietzsche.

Líderes que se conhecem profundamente conseguem fazer ajustes sem perder autenticidade. Isso é possível porque suas ações não são ditadas por regras externas, mas guiadas por uma compreensão clara de quem são e do impacto que desejam gerar.

Esse é um processo constante e que envolve investir em formação e desenvolvimento pessoal. Pode ser trabalhoso, mas encontrar o seu próprio caminho para liderar é uma das jornadas mais relevantes que você pode trilhar. Sempre digo que o mundo não é linear, mas exponencial. O fato é que a gente também.

A propósito: sete anos depois, eu me tornei CEO daquela empresa!

Washington Botelho, Presidente da JLL Work Dynamics para a América Latina.

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