A Softbank, do Japão, diz que atingiu um marco histórico no uso de novas faixas de frequência para mobilidade urbana. A empresa conseguiu, afirma, conectar um carro em movimento à rede celular utilizando a faixa de 300 GHz. Com isso, desafia a tendência na indústria de considerar as faixas mais altas do espectro radioelétrico para aplicações estáticas, como o acesso de banda larga fixa pelo ar (FWA).
A empresa afirma que os testes demonstram a viabilidade de usar as altíssimas frequências para soluções de carros conectados. Ressalta que o desenvolvimento da tecnologia é fundamental para a próxima geração de redes celulares, a 6G, que terá por padrão capacidade de transmissão de dados de 100 Gbps ou superior. A título de comparação, o 5G atual, no melhor cenário, prevê 10 Gbps.

A busca pelo uso das frequências ultra altas, medidas em Terahertz (THz), se deve à disponibilidade. São faixas livres e extensas. No entanto, estão desocupadas por conta do desafio de tecnológico de utilizá-las. Quanto mais elevada a frequência, mais suscetível a interferências é, mais energia é necessária para gerá-la, e consequentemente, mais calor é produzido. O alcance também cai consideravelmente, o que exige a implantação de mais estações radiobase.
Para a Softbank, no entanto, é importante persistir no desenvolvimento, pois o THz pode ocupar lacunas de conectividade onde a fibra óptica não chega por diferentes motivos, ou mesmo, no futuro, para funcionar como alternativa viável.
Em suma, qualquer parede tende a bloquear o sinal THz. A solução veicular, no entanto, foca-se justamente nas estradas por serem ambientes abertos e contínuos. Assim, a rede seria dedicada a carros conectados. Para tanto, seriam espalhadas antenas dotadas de tecnologia semelhante à dos radares utilizados na aviação tanto nas estações, como nos veículos.
A antena foi desenvolvida pela empresa, baseada no padrão “quadrado cossecante”, que garante um sinal uniforme mesmo com o alvo em movimento. Mas, diferente das antenas dos radares, tinha dimensões diminutas (1,5×1,3×1,5 cm, menores do que as antenas barbatanas presentes nos carros atuais) graças à altíssima frequência de 300 GHz utilizada.

Os testes de rua aconteceram em Tóquio, mas com apenas uma estação radiobase dotada da antena cossecante, colocada em uma passarela 10 metros acima do solo e transmitindo sinal em 300 GHz. O veículo que atravessava abaixo da passarela captava o sinal com sua antena. A conexão funcionou a velocidades de até 30 Km/h, a 140 metros de distância entre as antenas, em linha reta. Mas a empresa garante que a distância percorrida só não foi maior pela limitação de continuidade da pista.
Por ora, a solução está longe de ter aplicação prática, mas a Softbank diz que o objetivo é chegar lá para o 6G, cujo lançamento comercial é estimado em 2030.