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Cobertura é desafio ao avanço das APIs de rede, vê Engineering

Alexandre de Almeida, Gerente Sr. de Business Lab e Pré-Vendas da Engineering

O 5G trouxe uma grande inovação: a possibilidade de que empresas se conectem diretamente à rede via APIs para obter informações operacionais ou alterar seu comportamento, sob demanda, sem comprometer a segurança. A fim de garantir que isso gere receitas ao setor, a GSMA, associação mundial das operadoras celulares, criou a iniciativa Open Gateway, que padroniza essas ferramentas, sob o argumento de que elas se beneficiam da escala. Quanto mais gente usar o mesmo padrão, mais empresas de outras verticais poderão consumir um tipo de serviço transversal ao setor de telecomunicações.

O Brasil vai bem neste novo cenário, avalia Alexandre de Almeida, gerente sênior de Business Lab e Pré-Vendas da consultoria Engineering. Segundo ele, estamos à frente de todos os demais países da América Latina na adoção de APIs da Open Gateway, iniciativa lançada globalmente no começo de 2023.

Mas a adoção tem a ver com fatores como tempo em que as redes 5G se tornaram disponíveis e amplitude da cobertura. Afinal, as APIs só fazem sentido onde há rede 5G, uma vez que não conversar com sistemas 4G ou WiFi. Confira, a seguir, a conversa que o executivo teve com o TS sobre o assunto.

Tele.Síntese: Como a Engineering entrou nesse mercado de APIs?

Alexandre de Almeida, gerente sênior de Business Lab e Pré-Vendas da consultoria Engineering – Temos 40 anos no mundo, 16 anos de Brasil. Sempre atuou no desenvolvimento de APIs e produtos e consultoria. Hoje o mundo está “APIficado”. Qualquer tipo de empresa necessariamente tem que se integrar com outros sistemas através de APIs. As redes sociais, por exemplo, quando faz dupla identificação, usa API.

O Open Gateway funciona da mesma forma que funciona a APIs de uma rede social?

Almeida – O Open Gateway é uma iniciativa mundial criada pela GSMA por causa do 5G. O 5G permite que o usuário interaja com a rede para mudar aspectos operacionais, por exemplo, a velocidade ou consulta a parâmetros da rede, o número de um dispositivo, verificar se o SIM card dentro do telefone foi trocado recentemente, a localização.

No 5G, os casos de uso vão ditar o surgimento de novos produtos. Imagine que um banco quer que o cliente seja autenticado de maneira segura. Enviar SMS já não é suficiente, pois o celular pode ser clonado. Com o SIM Swap, que identifica se houve troca de chips, isso já não acontece mais.

Por que o Open Gateway faz sentido?

Almeida – Imagine um grande banco. Ele tem clientes que são assinantes da Vivo, ou da Claro, ou da TIM. As APIs têm os mesmos parâmetros para todas as operadoras. Falam a mesma língua. Imagina este banco ter que fazer integrações com três operadoras diferentes. Então Open Gaeway vem para padronizar essas APIs, dita como vai ser feita essa integração. Hoje há três dessas APIs implementadas no Brasil pelas três operadoras. Na iniciativa há 15 APIs homologadas, e até o final de 2024, a meta é chegar a 40, segundo a GSMA.

Funciona no 5G SA e NSA?

Almeida – Em qualquer sabor do 5G.

Se eu tenho só 4G no celular, não vou ser beneficiado por APIs?

Almeida – Não, porque a rede não permite isso. Esse foi um dos avanços do 5G. Além de maior velocidade e menor latência, o 5G permite interagir com a rede para obter parâmetros e validar operações.

E não existe offload? Quando o usuário entra em casa e se conecta ao WiFi, a API não vai funcionar?

Almeida – Não vai, pois não existe a comunicação com a rede 5G, que é responsável por isso.

Se no Brasil tem 26 milhões de clientes 5G significa que tem 26 milhões potenciais clientes atingidos por APIs exatamente, então? Não são ainda os 200 milhões de usuários móveis no Brasil que conseguiriam se beneficiar das APIs nesse momento?

Almeida – Exatamente. Qualquer dispositivo que tenha o acesso à rede 5G de alguma operadora consegue ter esses benefícios. Mas o esse tipo de benefício não vem diretamente. Ele vem para o usuário doméstico, mas é contratado, por exemplo, por empresas como um Itaú Unibanco. O Itaú implementou, vende um serviço através da própria app, de segurança para o cliente, que usa a API Device Location. Ele permite que você só faça transferência dentro da sua casa, por exemplo. Se alguém no trânsito te sequestrar, levar para o outro local, e tentar a transferência, vai vir uma mensagem na tela informando que não é possível. O próprio ladrão vai ver que não é culpa sua.

É um negócio puramente B2B para as operadoras?

Almeida – No 5G, o maior benefício e os maiores casos de usos vão ser aplicados em B2B e não B2C.

No 5G ainda tem pouco IoT, a maior base está nas tecnologias legadas. Mas haverá APIs pensadas especificamente para IoT? Redcap, um sabor do 5G para IoT, poderá adotar?

Almeida – Sim. Um exemplo bem prático é de qualidade sob demanda. Um drone que seja controlado com rede de comunicação 5G pode solicitar rede com maior qualidade possível em uma determinada área. Aplicações médicas podem se beneficiar de qualidade sob demanda, outra API já homologada pelo OpenGateway. A rede permite novos usos, mas é uma questão de as operadoras oferecerem.

Então já tem mais APIs do que as estão em oferta pelas operadoras no Brasil? Quais as disponíveis aqui?

Almeida – Por enquanto há oferta de APIs de SIM Swap, que identifica a troca de chips, device number, que confirma o número em uma transação, e device location, que checa a localização. Qualidade sob demanda já foi homologada, mas ainda não começou a ser comercializada. Possivelmente é uma das próximas a chegarem ao mercado, mas isso depende da demanda. As operadoras estão priorizando o lançamento das APIs que têm requisição de casos de uso maior.  Device number, location, e SIM Swap normalmente são utilizadas juntas, pois quanto maior a dor, maior a procura.

Se o mercado não souber que existe, ele vai querer contratar?

Almeida – Aí cabe à operadora fazer uma pesquisa de mercado. Tem um outro ponto também, que é a competição. Se uma lança, as outras têm que lançar, todas têm que ter esse serviço habilitado. O benefício de monetizar essas APIs é trazer uma nova receita para as operadoras, elas têm tido uma queda de receita de serviços de voz e até de dados. Então elas têm que inventar uma maneira nova de trazer receitas.

Você falou que vai chegar a 40 APIs possíveis até o final do ano homologadas pelo Open Gateway. Mas uma operadora pode lançar uma API sem ser necessariamente aderente ao Open Gateway?

Almeida – Pode. Mas quando a gente tá falando de Open Gateway, vai ter que usar as padronizadas. Nada impede um operadora de criar um sistema de consumo de dados do próprio sistema dela, como por exemplo, ou API de informações demográficas. Mas quando a gente fala em monetização, o Open Gateway veio para ajudar a simplificar e padronizar. Para se ter uma ideia, o Brasil é o país mais adiantado na oferta de APIs de rede via Open Gateway na América Latina, com SIM Swap, Device Number e SIM Location. Seguido por Argentina. Depois virá na Colômbia e México, ainda sem tem data definida.

Claro, TIM e Vivo estão com essas três APIs 100% funcionais?

Almeida – Tim e Claro, sim. A Vivo tem um plano feito, mas acho que efetivamente não está ativo. A Claro, no primeiro mês lançamento, monetizou R$ 3 milhões. São dados públicos.

E quantos brasileiros são de alguma forma impactados pelas APIs?

Almeida – Não temos como saber ainda, porque não são as operadora que oferecem aos usuários domésticos. A operadora oferece a um cliente B2B, como o Itaú, e o Itaú é que sabe quantos clientes estão usando.

No 5G, temos novas operadoras entrando. Brisanet, Unifique, Algar, Ligga e Cloud2U. Elas já estão desenvolvendo planos de oferta das APIs?

Almeida – Elas podem oferecer as APIs do Open Gateway. Para usar o Open Gateway não precisa aderir formalmente, mas convém participar do grupo para ter o conhecimento. Uma Brisanet, por exemplo, pode criar uma API que não existe nesse universo dessas 40 APIs que existirão até o fim do ano. Se ela quiser que isso faça parte, ela pode se associar. Como o Open Gateway é uma junção de empresas de telecomunicações, isso passa por um comitê de avaliação.

É uma questão de necessidade delas lançarem pelo Open Gaeway. Porque se o Itaú contratou da TIM, da Claro, da Vivo, a Brisanet não pode ficar de fora ou perderá receita. É mandatório. Então tenho certeza que eles vão eventualmente aderir a este modelo, pois precisam de maneiras de trazer novas receitas. Com o 5G, é possível ter por exemplo 1 milhão de dispositivos IoT por km². Se em uma região não tiver isso habilitado pela operadora local, ela que deixa de ganhar.

Não existem oportunidades com APIs para as operadoras oferecerem algo diretamente ao consumidor final?

Almeida – Isso é vislumbrado com a qualidade sob demanda que falei. Se você for um jogador profissional de games, por exemplo, pode solicitar aumento de qualidade da rede em um período X. É um modelo B2C. Agora, pode ser aplicado também ao B2B, pois o desenvolvedor do jogo pode também contratar para que funcione bem no período do campeonato, por exemplo.

O uso de APIs evolui conforme o esperado no Brasil? Quais os desafios pela frente para maior adoção?

Almeida – Ele está dentro da trajetória esperada, lembrando que o Brasil entrou um pouquinho tarde no 5G. O Brasil está liderando na América Latina, mas o 5G começou dois anos antes lá fora, então nos Estados Unidos e Europa as operadoras têm mais casos de uso implementados. Já o desafio, é de cobertura, fazer pegar dentro da casa do usuário. Tecnicamente, é preciso colocar mais antenas 5G para isso. E ampliar cobertura sempre foi um desafio, já era para 3G e 4G.

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