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Lang: IA e cibersegurança nas redes de dados corporativas

Flavio Lang é cofundador da SecureLink, uma operadora brasileira focada no segmento B2B 100% baseada em redes neutras. Um dos nomes mais influentes das áreas de telecomunicações e tecnologia do país, Lang possui mais de 20 anos de carreira no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, o executivo liderou as áreas de negócio e operações fixas da Brasil Telecom, Oi, Tim e Liberty Latim América, com experiência em mais de 16 países.

Por Flávio Lang * – As redes de dados corporativas são o alicerce sobre o qual a comunicação e operações de uma empresa se apoiam. À medida que avançamos na era digital, a complexidade e a importância dessas redes só aumentam, trazendo consigo desafios e oportunidades para as organizações modernas. Elas permitem não apenas a comunicação cotidiana, mas também suportam operações críticas em uma infraestrutura digital que está sempre evoluindo. O IDC estima que o mercado de redes de dados e cibersegurança ultrapassou os R$ 10 bilhões no Brasil, sendo que a cibersegurança hoje é a principal prioridade para 53% dos CIOs do país.

Desde os anos 1990, a principal tecnologia utilizada para construção das redes de comunicação corporativas vem sendo o IP-MPLS (Multi-Protocol Label Switching), que oferece um meio eficiente e seguro para o encaminhamento de pacotes de dados. Suas vantagens incluem alta performance, segurança robusta, e a capacidade de gerenciar qualidade de serviço para uma variedade de aplicações, tornando-o um elemento crucial nas redes empresariais. O baixo custo dos equipamentos, a confiança na robustez e escalabilidade do IP-MPLS permanecem como principais motivos das empresas permanecerem com essa tecnologia.

Contudo, o avanço da cobertura e da largura de banda disponível nas redes de acesso à internet, o crescimento explosivo de aplicações baseadas em IA e aplicações na nuvem e as preocupações com cibersegurança catalisaram a ascensão do SD-WAN (Software Defined WAN), uma tecnologia que combina funcionalidades integradas de roteadores e firewalls gerenciados na nuvem. A solução permite que as empresas gerenciem de forma eficaz a conectividade e as políticas de segurança na rede, utilizando múltiplas tecnologias e provedores de acesso, o que resulta em uma gestão simplificada, descentralizada e uma adaptabilidade ágil às demandas do negócio.

Vale destacar que a preocupação com a cibersegurança tem se tornado um temor ainda mais acentuado, uma vez que a digitalização avança. Nesse caso, a integração do SD-WAN com serviços avançados de segurança, particularmente através das soluções de SASE (Secure Access Service Edge), também conhecido como segurança na borda ou nos acessos “remotos”, é extremamente benéfica. Inclusive, a projeção do Gartner é de que 60% das soluções SD-WAN farão parte de ofertas integradas de SASE até 2026, comparados aos 15% de 2023. Essa adoção exemplifica um movimento em direção a uma proteção mais integrada, distribuída e abrangente, ressaltando uma tendência de evolução rápida para redes corporativas integradas às soluções de segurança.

A incorporação da Inteligência Artificial (IA) nas soluções de rede promete ainda transformar a gestão e a eficiência das redes corporativas. Isso porque a tecnologia pode melhorar a performance, otimizar a seleção de rotas, identificar ameaças e ataques e validar autorizações de acesso de forma mais eficiente. O Gartner antecipa que até 2026, 20% das soluções de IA estarão incorporadas nas ofertas de SD-WAN, destacando o seu potencial para revolucionar as redes corporativas, a partir de quase zero em 2023.

A verdade é que as redes de dados corporativas estão evoluindo para atender às exigências de um mundo empresarial cada vez mais digital e conectado. O MPLS continua sendo uma tecnologia fundamental para certas aplicações, enquanto o SD-WAN surge como a solução preferida para as necessidades contemporâneas de flexibilidade, gestão simplificada e segurança integrada. A convergência de conectividade com o SASE e o potencial disruptivo da IA são indicativos de um futuro em que as redes não apenas suportam, mas também impulsionam a inovação empresarial. Adaptar-se a esse ecossistema em evolução, aproveitando as tecnologias emergentes, será chave para enfrentar os desafios e capturar as oportunidades no ambiente corporativo digital.

*Flavio Lang é cofundador da SecureLink, uma operadora brasileira focada no segmento B2B 100% baseada em redes neutras. Possui mais de 20 anos de carreira no Brasil e passagem em postos chave nas empresas Brasil Telecom, Oi, Tim e Liberty Latin América.

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