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D2D: A tecnologia que pode revolucionar os serviços de telecom

Crédito: Gabriel*Caio Bonilha

Segunda-feira, 8 de janeiro de 2024. Uma simples transmissão de texto de um celular para outro, equivalente a tecnologia 2G, mas com um detalhe: de um lado, estava o usuário conectado a um satélite LEO da Starlink e, do outro, o celular conectado na rede da T-Mobile. A tecnologia D2D (Direct to Device) é uma nova revolução ou uma evolução?

Desafios técnicos

A conexão de telefones celulares a satélites apresenta vários desafios importantes a serem superados. Por exemplo, em redes terrestres, as torres de celular são estacionárias, mas em uma rede de satélite elas se movem a dezenas de milhares de quilômetros por hora em relação aos usuários na Terra. Isto requer hand-over contínuos entre satélites e acomodações para fatores como Doppler-Shift e atrasos de tempo, os quais desafiam as comunicações no espaço. Os telefones celulares também são incrivelmente difíceis de conectar a satélites a centenas de quilômetros de distância, devido ao seu baixo ganho da antena e à baixa potência de transmissão.

Evolução técnica

As empresas que estão desenvolvendo tecnologia D2C estão trabalhando para superar esses desafios. Por exemplo, a Starlink está usando nova e inovadora eletrônica customizada, antenas phased array e algoritmos de software avançados para fornecer serviço LTE padrão para telefones celulares em solo.

Outras empresas

A Starlink não é a única empresa trabalhando em tecnologia D2C. AST Space Mobile, Iridium (Projeto Stardust), Sateliot, (IoT) e Lynk, uma das pioneiras na tecnologia D2C, já tem satélites operando com esta tecnologia.

Clientes potenciais

Os clientes potenciais mais próximos para o D2D são os do agronegócio que hoje carecem de conectividade na maioria dos casos. Um estudo da Futurion Análise Empresarial calculou que a cobertura de telefonia celular no Brasil era de aproximadamente 17,5% do território nacional em 2021. Mais: o Brasil possui aproximadamente 5 Milhões de propriedades rurais e 11 milhões de domicílios na área rural, além de ter uma área cultivada de aproximadamente 8% do território.

Por conta disso, a John Deere já assinou um acordo com a Starlink e começa a oferecer serviços para suas máquinas a partir do segundo semestre de 2024 no Brasil e nos EUA. Esperam com isto proporcionar um ganho de produtividade, pois a dinâmica do processo exige a execução de etapas de produção extremamente precisas, paralelamente à coordenação entre as máquinas e o gerenciamento do seu desempenho.

Impacto no panorama de cobertura

Com certeza, este avanço deve impactar o panorama de cobertura de áreas rurais, remotas e mesmo periféricas. Os serviços existentes hoje no Brasil utilizam-se de (i) redes terrestres celulares com baixas frequências como o 700 MHz, (ii) redes NTN em satélites LEO e GEO com terminais customizados, (iii) redes de radio terrestres com tecnologia ponto a ponto e (iv) redes terrestres cabeadas com fibras ópticas, por exemplo. Todas elas apresentam um alto custo de implantação, por conta do backhaul e/ou dos terminais de usuário, além de preços mensais mais altos e de serem estacionárias, enquanto o D2C é nomádica.

Previsão para 2024

Segundo a consultoria Analysys Mason, “2024 é um ano crítico para o futuro do segmento D2C, com o lançamento do 3GPP18 esperado para expandir significativamente as capacidades D2C do satélite”[1]. Na medida que a tecnologia NTN D2C for avançando, podemos prever uma competição com as tecnologias citadas porque passa a ser transparente para o usuário se ele está se conectando em uma rede celular NTN ou terrestre, além dele poder se mover. Por conta disso, podemos prever preços mais acessíveis que podem aumentar a inclusão digital em povoados esparsos e áreas rurais.

Conclusão

O futuro dirá se vamos ter uma evolução ou uma revolução com o impacto desta nova tecnologia D2D. No entanto, é claro que a D2D tem o potencial de mudar significativamente o panorama dos serviços de telecom, tornando a conectividade mais acessível e disponível para todos, mesmo em áreas remotas.

* Caio Bonilha é Sócio-diretor da Análise Empresarial. especializada no setor de telecomunicações. Engenheiro de Telecom, possui mais de 40 anos de experiência, com larga experiência internacional. Foi presidente da Telebrás, fundador da Celplan, consultor do CCITT-UIT, do Banco Mundial e da CEPAL.

[1] https://teletime.com.br/29/01/2024/mercado-de-satelites-tera-salto-de-receita-e-integracao-em-2024-diz-consultoria/

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