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10 riscos para a indústria de telecomunicações em 2024

celular seguro (crédito: Freepik)

O setor de telecomunicações estará imerso em uma série de desafios globais e nacionais ao longo de 2024 que vão exigir muito em termos de proteção de dados, ética e governança. É o que aponta levantamento da consultoria EY sobre os 10 riscos que mais ameaçarão as operadoras em 2024.

O material, que cruza dados de vários estudos segmentados, indica que as empresas continuarão a enfrentar desafios macroeconômicos e geopolíticos que variam no aumento do custo de vida à necessidade de revisão das cadeias produtivas.

As teles também seguirão em busca de como melhorar sua resiliência financeira, ao mesmo tempo em que os reguladores vão pressionar mais para que populações pouco ou nada conectadas sejam atendidas, além de exigir mais segurança digital. 

Há ainda riscos relacionados à sustentabilidade, aos modelos de negócio, à qualidade da rede e a da força de trabalho, incluindo a atração e retenção de talentos.

Confira abaixo os 10 principais riscos para o setor de telecomunicações em 2024, conforme o relatório anual da EY:

1. Subestimar as mudanças em termos de privacidade, segurança e confiança

Olhando para o futuro, a maioria das empresas de telecomunicações acredita que a Internet das Coisas (IoT), a nuvem em escala e a inteligência artificial (IA) representarão riscos substanciais para as suas organizações do ponto de vista da segurança cibernética. Apesar de 79% das empresas de telecomunicações concordarem que a IA é uma força para o bem, impulsionando a eficiência dos negócios e criando resultados positivos para todos, 74% acreditam que devem fazer mais para mitigar os “maus atores” da IA e prestar maior atenção às suas implicações éticas. Ainda, 68% dizem que não estão fazendo o suficiente para gerenciar as consequências indesejadas da tecnologia.

“Os riscos identificados pela indústria de telecomunicações passam pelo avanço oriundo das tecnologias emergentes e da inteligência artificial, inovando processos e modelos de negócios, além de transformar a forma como o setor irá lidar com vários aspectos, como a governança e a regulamentação dos dados”, diz José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações (TMT) da EY para América Latina.

2. Falta de resposta das teles ao custo de vida elevado

A EY aponta que apenas um terço dos consumidores considera que as empresas de telecomunicações têm apoiado durante a “crise do custo de vida” (alta dos preços de produtos e serviços básicos), enquanto três quartos acreditam que os fornecedores de banda larga deveriam fazer mais para oferecer garantias de preços fixos.

Os grupos etários mais velhos são mais propensos a quererem preços fixos e menos propensos a pensar que as empresas de telecomunicações têm apoiado isso. De acordo com o levantamento, 82% do grupo formado por pessoas com 66 anos ou mais acreditam que os provedores de banda larga deveriam fazer mais para oferecer garantias de preços fixos.

Embora menos de um em cada cinco consumidores irão reduzir ativamente os seus gastos com conectividade fixa e móvel, a procura por melhores ofertas em sites de comparação de preços ou recomendações de amigos e familiares aumentou de 19% em 2022 para 30% em 2023. Ainda de acordo com o estudo, 60% dos consumidores estão mais propensos a ofertas em função da crise econômica.

“Isso demonstra que uma eventual promoção ou geração de valor agregado nos produtos, chamados de combos no país, podem influenciar positivamente nesta decisão”, avalia Rocha.

3. Dificuldade de retenção e atração de talentos

As pressões financeiras estão fazendo com que muitas empresas de telecomunicações reduzam os seus esforços para atrair novos talentos para o futuro. A EY diz que 55% dos empregadores de telecomunicações estão pausando as contratações em resposta às pressões financeiras, quase o dobro da proporção em todos os setores (28%). Neste contexto, não é surpresa que a retenção (32%), a atração (29%) e o desenvolvimento de talentos da próxima geração (26%) estejam classificados entre os cinco principais riscos pelas empresas de telecomunicações. Com esses novos ciclos tecnológicos tanto na inteligência artificial generativa como na computação de borda, um outro desafio será o acesso à talentos digitais que se tornará cada vez mais importante para acompanhar a evolução dessa indústria.

4. Má gestão de agenda de ESG

As divulgações climáticas das empresas de telecomunicações carecem de qualidade, enquanto a complexidade interna prejudica o progresso das suas iniciativas em matéria de alterações climáticas. Outro estudo da EY, de 2022, mostra que os executivos dessa área têm dificuldades na tomada de decisões em torno de iniciativas relativas às alterações climáticas de uma forma mais geral: 4 em cada 10 relatam dificuldade em obter a adesão das partes interessadas internas. Com uma proporção ainda maior, 57% dizem que o número de grupos envolvidos dificulta internamente o progresso e 53% dos executivos das telecomunicações concordam que a sua estratégia climática consiste em múltiplas iniciativas concorrentes, em oposição a uma abordagem unificada.

5. Incapacidade de aproveitar novos modelos de negócios

Apesar do investimento significativo para além da conectividade, serviços como a Internet das Coisas (IoT) e a segurança ainda geram apenas uma pequena proporção das receitas. Estima-se que as ofertas de Internet das Coisas (IoT), nuvem e segurança representam aproximadamente de 0,5% a 2% cada, em termos de contribuição para a receita bruta. Outra barreira ao sucesso do B2B é que as empresas de telecomunicações sofrem de uma lacuna de credibilidade como consultores digitais, apenas 22% dos clientes as consideram especialistas em transformação digital. Os dados levam em conta inclusive entrevistas a brasileiros.

6. Qualidade de rede e proposta de valor inadequadas

A confiabilidade da rede continua sendo um problema para os clientes, mas eles não estão convencidos dos benefícios de uma nova infraestrutura, diz a consultoria. Cerca de 26% dos lares experimentaram uma ligação doméstica de banda larga considerada não confiável “frequentemente” ou “muito frequentemente” e 29% dizem o mesmo sobre o sinal de dados móveis dentro de casa. Embora as operadoras estejam tomando medidas ativas para melhorar a velocidade e a qualidade do serviço, os clientes permanecem céticos com essas promessas, 43% acreditam que as garantias de desempenho do WiFi são enganosas ou imprecisas. Este estudo considerou, porém, apenas países desenvolvidos, como Canadá, Itália, Coreia do Sul e EUA.

7. Cultura e formas de trabalhar

Os profissionais de telecomunicações são mais propensos a preferir trabalhar remotamente e menos propensos a querer estar no local de trabalho. De acordo a EY, 30% das pessoas que trabalham nessa indústria expressam preferência por trabalhar totalmente remoto e deslocar-se apenas quando necessário, contra 23% em todos os setores. Esta maior propensão para trabalhar remotamente afeta o desenvolvimento de competências, com o acesso à aprendizagem e às competências (47%) a emergir como o principal fator citado pelos funcionários das telecomunicações para prosperarem como trabalhadores remotos ou híbridos. Embora 43% dos funcionários de telecomunicações afirmem que a sua empresa melhorou a sua tecnologia para trabalho remoto, 34% acreditam que ainda são necessárias mudanças mais extensas.

“Se as restrições financeiras limitam a gestão de talentos, as empresas de telecomunicações devem tomar medidas para fortalecer a sua força de trabalho existente, com um foco mais profundo na aprendizagem, na melhoria de competências e em ambientes propícios para isso. Envolver-se com os funcionários de novas maneiras é importante para criar conexões mais bem-sucedidas com clientes e partes interessadas”, diz Rocha.

8. Envolvimento ineficaz com ecossistemas externos

As empresas estão mais receptivas a comprar de fornecedores de telecomunicações com conhecimento e capacidades do ecossistema. Ao menos 71% das empresas priorizam fornecedores 5G com relações ecossistêmicas. Mas fatores como a incerteza quanto ao retorno do investimento (36%), seguida pelo apego a formas mais tradicionais de impulsionar o crescimento (25%) e pelas preocupações com a segurança cibernética (25%) ainda dificultam a sua eficácia.

9. Incapacidade de se adaptarem ao cenário regulatório em mudança

As revisões antitruste são uma causa contínua de incerteza, enquanto as abordagens iniciais dos reguladores à IA apresentam riscos de fragmentação entre jurisdições. A preocupação com os encargos de conformidade é notada em pesquisa feita com 1,2 mil CEOs, inclusive brasileiros. 61% dos líderes de telecomunicações acreditam que os riscos regulamentares terão um impacto significativo no desempenho dos seus negócios nos próximos 12 meses.

10. Falha em maximizar o valor dos ativos de infraestrutura

Os esforços das empresas de telecomunicações para libertar valor da sua infraestrutura estão ganhando ritmo e escala. A mesma pesquisa reforça o foco contínuo em carve-outs de infraestruturas (separação e venda de ativos), com 41% dos CEOs de telecomunicações a buscarem cisões e ofertas públicas (IPOs) no próximo ano e 61% afirmando que procurarão formar joint ventures ou alianças estratégicas com terceiros, com o objetivo de reconfigurar os modelos de propriedade e diversos tipos de infraestrutura.

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