Mudanças climáticas aproximam agro da tecnologia, avaliam especialistas

Soluções digitais auxiliam no monitoramento da produção no agro em meio às mudanças climáticas  | Foto: Freepik

Em tempos de previsibilidade prejudicada por conta das mudanças climáticas, a análise de dados e a conexão se firmam cada vez mais como ferramentas indispensáveis do agro. Esta é a conclusão de especialistas em debate sobre o tema durante o evento AGROtic, realizado pelo Tele.Síntese em parceria com a ESALQtec, nesta quarta-feira, 20.

Os fenômenos que vêm sendo registrados com maior frequência, como chuvas, calor, frio e seca extremos chegam aos fornecedores de soluções digitais na forma de demandas do campo. Segundo Alexandre Rangel, sócio-líder de consultoria para o setor de agronegócios para América Latina Sul da EY, “o primeiro ponto que se vê dentro do mercado é uma preocupação muito grande em olhar para onde buscar segurança de produtividade”.

“Quando se trata desse tipo de mudança climática, estamos falando não só de afetar um produtor por eventos extremos que vão afetar a produtividade, mas também sobre disrupção da cadeia logística. Um evento extremo pode afetar a capacidade de escoamento de uma região, por exemplo, e afeta também a importação de insumos”, explica Rangel.

Entre as ferramentas mencionadas por especialistas como tendências estão ferramentas de irrigação inteligente e monitoramento da armazenagem (saiba mais abaixo).

Stella Rodrigues, head de ESG e Inteligência de negócios da Agrotools, destaca que a preocupação não é só do produtor, mas também dos clientes e revendedores, que estão preocupados em conhecer a origem dos produtos e insumos.

“A criação de modelos e novas bases de dados que sejam cada vez mais apradas, a coleta de dados e a democratização desses dados são essenciais para que eles [produtores e empresas] possam inclusive medir, mitigar e também melhorar a questão das suas próprias emissões de carbono”, afirma Rodrigues.

Soluções

Os especialistas ressaltam que existem limites no auxílio da tecnologia para a garantir a produção em meio às mudanças climáticas, mas ela é importante até onde alcança.

O diretor de IoT da Claro Brasil, Eduardo Polidoro, conta que a operadora desenvolveu ferramentas digitais para o monitoramento da qualidade de grãos armazenados ou em transporte, por exemplo, análise de solo com imagem de satélite, rastreamento logístico, medição de temperatura em área delimitada e uso racional de defensivos.

A Agrotools, que atua no B2B, também dispõe de ferramentas, mais voltadas para empresas que estão ligadas ao agronegócio como instituições financeiras, restaurantes e varejistas. Há ainda uma solução em fase gratuita destinada a produtores que pode auxiliar na análise dos dados de solo e produção.

A analista de Inovação e Head do programa Agro 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Isabela Gaya, apresentou uma série de projetos que vem sendo implementados pela entidade para mostrar aos produtores como a tecnologia funciona na prática, aplicando algumas das soluções citadas pelos especialistas, como uso consciente de recursos naturais e redução do desperdício (saiba mais neste link).

Especificamente sobre tendências nas tecnologias, Alexandre Rangel da EY eleca a inteligência artificial com potencial de ganhar mais espaço nas soluções que já estão no mercado e cada vez mais atenção ao digital image, dois segmentos em que a empresa vem buscando ampliar parcerias.

Conexão e recurso

No entanto, o uso das ferramentas depende de infraestrutura de rede e recursos. Rangel chama atenção para a necessidade de incentivos que possibilitem o investimento em tecnologia e conexão a partir das linhas de financiamentos disponíveis.

“É super importante a gente levar o mercado a um ambiente de compliance ambiental e sustentabilidade […] mas há uma diferença entre ajudar ele a entrar em conformidade e, simplesmente, punir, como ‘eu não vou te emprestar ou não vou comprar, se você não fizer’. O produtor também quer ajuda, só que ele se pergunta como pagar pelo investimento em tecnologia’”, disse Rangel.

Se superada a questão do investimento, a busca passa a ser a disponibilidade do serviço de rede. Para Polidoro, da Claro, “a conectividade não é mais um problema”. “Antes, de fato, a gente tinha dificuldade, eventualmente, para chegar com o backhaul [por exemplo] mas hoje a gente tem opção satelital”, disse, considerando a estrutura da operadora.

Especificamente para a instalação de uma estação rádio base, por exemplo, o executivo explica que o atendimento avalia, caso a caso, “se a área é suficientemente grande”. Quando não, é recomendado aos proprietários fazer aglutinações com parceiros até atingir tamanho ideal.

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