Gestor de sustentabilidade está em 25% das empresas

As empresas de maior faturamento anual demonstraram desempenho superior nesse indicador relevante para a sustentabilidade nas organizações e para a criação de modelos de negócio plenamente integrados com a natureza

Um quarto das organizações têm uma posição dedicada à sustentabilidade, de acordo com o estudo “Global Impact Report”, produzido pela EY e pela YPO, o que indica a necessidade de aumento da força de trabalho voltada para essas ações com a finalidade de gerenciar de forma eficaz as iniciativas ESG.

As empresas com mais de 500 colaboradores tiveram desempenho superior em relação a ter profissional dedicado à sustentabilidade, que é geralmente chamado de CSO (Chief Sustainability Officer), assim como comitê voltado para questões sociais e de sustentabilidade – em um esforço inserido nas práticas ESG. O CSO contribui para a criação de modelos de negócio integrados com a natureza, motivo pelo qual seu papel tem sido reconhecido no mercado.

“Esse profissional é eficiente quando a empresa dá o suporte necessário, incluindo os recursos esperados, além de conectá-lo com os demais C-Levels. É o chamado CSO transformacional, que, como característica, tem capacidade de influenciar toda a companhia e capturar valor para o negócio”, diz Ricardo Assumpção, CSO da EY e líder de ESG e Sustentabilidade. No entanto, segundo o Sustainable Value Study, elaborado pela EY, somente um em cada cinco CSOs possui esse perfil.

O estudo da EY com a YPO considerou por volta de mil empresas de 80 países, incluindo os da América Latina, dos seguintes setores: serviços; bens de consumo; e financeiro. Elas fazem parte da YPO, uma comunidade que reúne a liderança global em cargos de C-Level com mais de 35 mil membros representando US$ 9 trilhões de faturamento das suas organizações. O tamanho das empresas foi definido a partir do seu faturamento anual, com a maioria entre zero e US$ 50 milhões, o equivalente a 68% da amostra. Essas empresas foram consideradas pequenas e médias pelo estudo. O restante (32%) registrou receita anual superior a US$ 50 milhões.

Ainda segundo a pesquisa, as empresas respondentes estão menos propensas a reportar métricas de sustentabilidade em comparação com as sociais e de governança. O reporte desses dados é relevante para que a sustentabilidade possa ser plenamente integrada às diferentes áreas do negócio, de forma transversal, o que se mostra cada vez mais relevante para o crescimento das organizações. Por envolver amostra predominante de pequenas e médias empresas (PMEs), o estudo demonstra que esses desafios são ainda maiores para esses empreendedores, que, pela falta de medição do desempenho ambiental e energético, enfrentam dificuldades para colaborar com a transição energética e o combate às mudanças climáticas.

Adaptação climática

Ainda segundo o levantamento, embora a mitigação das alterações climáticas continue sendo crucial, as empresas devem abraçar estratégias de adaptação para construir resiliência em um mundo em transformação.

Para isso, a liderança tem papel crucial em direção a um futuro sustentável, o que passa pela divulgação por parte das empresas do seu desempenho ambiental, fazendo com que possam perseguir as metas estabelecidas. Essa transparência constrói confiança e garante que as organizações estejam tomando medidas significativas para enfrentar as mudanças climáticas.

CSO é comum nas maiores empresas dos EUA

Nos Estados Unidos, considerando somente as empresas com pelo menos US$ 1,5 bilhão de faturamento que fazem parte do ranking da Fortune 1000, mais de oito em cada dez (81%) líderes C-Level e membros da diretoria executiva entrevistados pelo estudo Sustainability and ESG Trends Index, da EY, dizem que suas organizações têm CSO ou posição equivalente na sua hierarquia de liderança.

Esses profissionais estão dedicados ao desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade críticas para atingir os objetivos de negócio a longo prazo. Mais de 30% deles mantêm canal direto de comunicação com o CEO, enquanto 25% com outros líderes executivos, o que demonstra, ainda que essas porcentagens tenham espaço para evolução, o comprometimento pela integração da estratégia ESG nos mais altos escalões das organizações.

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