Desigualdade de gênero é ainda maior na área de tecnologia

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho pode ser observada em várias camadas: disparidade entre o número de profissionais homens e mulheres nas organizações, menor participação feminina em cargos de liderança e diferença salarial para quem realiza a mesma função são exemplos. Diferentes estudos mostram que a realidade desigual é mais acentuada em alguns setores, como o de tecnologia.

A presença das mulheres no mercado tech ainda é tímida no mundo inteiro. Pesquisa realizada pela consultoria KPMG, em parceria com a Harvey Nash, revelou que a média global de profissionais sêniores do gênero feminino na área é de apenas 11%.

Em alguns lugares, o cenário é mais desigual. No Reino Unido, o percentual é de apenas 4%. A falta de representatividade contribui para o desinteresse, como mostra o estudo Women in Tech, realizado pela consultoria PwC. Apenas 3% das meninas em idade escolar que moram nos países que integram a região – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – pensam em fazer carreira na área de tecnologia. 

Na América Latina, a participação feminina está acima da média global. De acordo com os dados da KPMG e da Harvey Nash, 16% dos profissionais sêniores de tecnologia são mulheres. 

No recorte por país, o Brasil apresenta um cenário mais otimista, com um percentual de 20%, superior às médias global e latina. No entanto, ainda há um longo caminho para promover a igualdade de gênero no mercado de tecnologia brasileiro. 

Salários não acompanham o crescimento da participação feminina

A participação das brasileiras no setor de tecnologia cresceu 60%, entre 2018 e 2022, de

acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), as mulheres são maioria nas universidades brasileiras. A menor participação delas na área de tecnologia é um reflexo comportamental, que tende a ser modificado com o tempo.

Para isso, é necessário o incentivo das instituições de ensino e, sobretudo, do mercado de trabalho. A discrepância salarial entre homens e mulheres que ocupam um mesmo cargo ainda é um fator a ser combatido.

O salário de cientista de dados no Brasil é, em média, de R$ 9 mil. O engenheiro de software recebe em torno de R$ 7,5 mil, enquanto o analista de TI tem a média salarial de R$ 4 mil e o programador web de R$ 3 mil. Os valores são do levantamento feito pelo Glassdoor.

No entanto, a diferença da remuneração paga a um homem que ocupa o mesmo cargo operacional do setor de tecnologia que uma mulher é de 9%, conforme pesquisa feita pela consultoria Mercer. No exemplo prático, isso significa que se o cientista de dados do gênero masculino recebe R$ 9 mil, a profissional que desempenha a mesma função ganha R$ 8.190.

Se o engenheiro de software ganha R$ 7,5 mil, a engenheira de software tem o salário de R$ 6.825. No caso dos analistas de TI, se o homem recebe R$ 4 mil, a mulher recebe R$ 3.640. Já entre os programadores, a diferença é de R$ 3 mil para R$ 2.730. A discrepância ocorre simplesmente pelo gênero do profissional.

Os exemplos mostram a disparidade observada entre cargos operacionais. Segundo o levantamento da consultoria Mercer, entre os executivos de empresas de alta tecnologia, a desigualdade salarial entre gêneros é de 36%.

Projeto de Lei da Igualdade Salarial

Reconhecendo a desigualdade de gênero existente no mercado de trabalho nacional, o Projeto de Lei (PL) nº 1.085/2023 propõe a igualdade salarial e remuneratória entre mulheres e homens para o exercício de uma mesma função. 

De autoria do governo federal, o PL abrange todos os setores da economia e propõe a modificação da Constituição Federal para assegurar a equidade salarial. A proposta prevê multa de dez vezes o maior salário pago pela empresa em caso de descumprimento.

O PL nº 1.085/2023 foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio e seguiu para apreciação do Senado Federal.

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